No dia 25 de janeiro de 2019 o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte, despejou mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de mineração na bacia do Rio Paraopeba e deixou 270 pessoas mortas.

Quatro anos depois, parentes das vítimas e moradores de cidades atingidas pelo mar de lama que destruiu lares e famílias ainda cobram por Justiça, dentre outras reivindicações.

Estes pedidos estão presentes em manifestos distribuídos nesta quarta-feira (25), em Brumadinho, durante homenagem às vitimas.

Os atingidos pela tragédia querem participar dos planos de recuperação socioambiental e dos estudos da avaliação de riscos à saúde humana.

Eles também pedem revisão dos critérios para atendimento das demandas por água, já que o Rio Paraopeba foi contaminado pelos rejeitos, se tornando impróprio para o consumo.

Denúncia

Nesta terça-feira (24), a Justiça Federal aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra 16 pessoas e as empresas Vale e Tüv Süd pelo rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho.

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Os envolvidos foram denunciados por homicídio qualificado, além de crimes contra a fauna, crimes contra a flora e crime de poluição.

Vítimas desaparecidas

Tiago Tadeu Mendes da Silva tinha 34 anos e deixou a mulher e dois filhos, um deles de apenas 8 meses. Ele trabalhava na mina de Sarzedo e foi transferido para Brumadinho cerca de 20 dias antes do rompimento da barragem.

Maria de Lurdes da Costa Bueno, de 59 anos, morava em São José do Rio Pardo (SP) e passava as férias com a família em uma pousada de Brumadinho a pedido do enteado, que tinha o sonho de conhecer o Inhotim. A pousada foi soterrada. Os dois enteados, a nora e o marido dela morreram.

Nathália de Oliveira Porto Araújo, de 25 anos, era estagiária na Vale. Deixou dois filhos e o marido.

O que diz a Vale:

A recuperação do rio Paraopeba e da qualidade de sua água, chegando nos parâmetros anteriores ao rompimento, é uma das prioridades da empresa.

As ações de recuperação do rio fazem parte do Plano de Reparação da Bacia do Paraopeba iniciado em 2019, com valor estimado de R$ 5 bilhões, além da implantação de uma série de medidas emergenciais para evitar que os rejeitos continuassem sendo carreados para o rio Paraopeba.

A empresa já entregou mais de 2 bilhões de litros de água potável para comunidades atingidas e construiu/reativou captações subterrâneas na região que disponibilizaram mais de 2,2 bilhões de litros de água.

Além disso, a Vale financia os Estudos de Avaliação de Risco à Saúde Humana e de Avaliação de Risco Ecológico, que estão sendo conduzidos pelo Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SISEMA) em articulação com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e Secretaria de Planejamento (SEPLAG).

Esses estudos investigam as áreas impactadas pelo rejeito para identificar uma possível contaminação e os riscos à saúde humana e ao meio ambiente, visando o estabelecimento de medidas de intervenção e reparação e ações de proteção da população, fauna e flora, se necessário.


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