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Por Geraldo Elísio  (Repórter)

Bolsonaro admitiu seu fracasso e disse não levar jeito para ser presidente. Isso perante um público de empresários, acrescentando ter chegado à política “meio por acaso”. E acrescento eu: “E azar nosso”. Não foi à toa que eu ouvi do ex-presidente Ernesto Geisel, em Brasília, repetido também pelo “Bruxo” Golbery do Couto e Silva, que ele é “um mal militar”. Em seu reconhecimento Bozo admitiu ainda ter isto “acontecido por acaso” e que nasceu mesmo para ser militar.

– Eu não tinha nada para estar aqui e nem levo jeito.

A afirmação foi publicada no site 247 e vale uma indagação. O que está criatura está a fazer no Planalto? Prazer sádico em destruir o Brasil, infernizando a vida dos brasileiros? Vergonhosamente implorando a Trump para apoiar um pretenso golpe de Estado no Brasil? Na Roma antiga pelo menos havia a sutileza de Cícero a indagar a Catilina até onde ele abusaria da paciência dos demais.

– Bolsonaro também reconheceu a sua inoperância enquanto deputado e assumiu que o seu lugar é no Exército. “Nasci para ser militar, fiquei por 15 anos no Exército Brasileiro, entrei na política meio por acaso. Passei 28 anos dentro da Câmara [dos Deputados].” E nada fez, concordando com todas as ações prejudiciais ao povo.

Tudo bem, porém indago… Diante da lógica como ficam as afirmativas de Bolsonaro e Ernesto Geisel e Golbery?

No mesmo dia, em Belo Horizonte, o jornalista e publicitário Marco Aurélio Carone, no site Novojornal.com.br, “sempre comprometido com a imparcialidade”, ao publicar a resultante do acesso tido ao ofício do ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, que no último dia 10 do corrente enviou um ofício ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral – TSE – Edson Fachin.

O Novojornal teve acesso ao ofício do ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, enviado, na sexta-feira (10), ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin. O documento segundo a análise de Carone, com a qual eu concordo, “demonstra abertamente a intenção dos militares em participar do processo eleitoral de 2022, embora constitucionalmente seja atribuição exclusiva do TSE – Tribunal Superior Eleitoral”.

O Ministro Edson Fachin ficará no cargo até agosto, “quando será substituído por Alexandre Moraes, que presidirá as eleições de 2022. As decisões de Fachin e Moraes poderão levar ou não o Brasil a um retrocesso institucional”. “Porém voltemos um instante ao general Geisel que se empenhou na reabertura da democracia lenta e gradual”, entrando em choque direto com o general Sílvio Frota e o grupo dele, exatamente essa gente que hoje está no Poder. O general Heleno sabe bem sobre o assunto.

Mas “a história da democracia brasileira tem caso semelhante. Em setembro de 1968 o deputado Márcio Moreira Alves proferiu um discurso no Congresso Nacional em que convocava um boicote às comemorações do Dia da Independência do Brasil e solicitava às jovens brasileiras que não namorassem oficiais do Exército”. Muito tempo depois Marcio esteve em Belo Horizonte e conversando comigo confirmou ter no princípio concordado com o golpe contra Jango Goulart e, ao rever posições ter enfrentando problemas com os militares, admitindo inclusive ter sido sem quer sê-lo um dos responsáveis pela edição do AI- 5.

Não sem razão os deputados estaduais da extinta Arena, e Nilson Gontijo, do ex-MDB, junto com o advogado e político Orlando Vaz Filho (o Patinho Feio) a toda hora citavam isto. Na ocasião da edição do temível AI-5 dois políticos mineiros escaparam da cassação de mandatos: os ex-governadores de Minas, Aureliana Chaves, depois vice-presidente de João Figueiredo, e, Francelino Pereira, a exemplo de Aureliano igualmente em futuro passado tendo sido governador dos mineiros. Eles votaram contra a cassação de Márcio Moreira Alves.

O então ministro da Justiça (?), Gama a Silva enviou à Câmara dos Deputados o pedido de autorização para Márcio Moreira Alves ser cassado, surgindo daí o AI-5. Não faltam pessoas a atribuir culpas no episódio ao ex-governador mineiro Rondon Pacheco. O ex-ministro Jarbas Passarinho, após o termino do Golpe Militar, em diversas entrevistas informou que o regime sabia que o pedido para processar Marcio Moreira Alves seria negado.

 Dificuldades

Ainda de acordo com o site 247 o jornal francês Le Monde subiu o tom contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) em editorial da terça-feira (14) sobre o desaparecimento do jornalista inglês Dom Philips e o indigenista Bruno Pereira, na Amazônia, afirmando que “o presidente do Brasil não é estranho ao que se passa na Amazônia. Ele nunca negou sua visão de uma região que deve ser explorada sem piedade, custe o que custar para seus nativos ou nosso futuro climático”.

Os franceses destacam ainda o vale do Javari e toda a região amazônica “ameaçados por caçadores e pescadores ilegais, garimpeiros e agricultura agressiva, até por missionários evangélicos determinados a converter por todos os meios os últimos representantes dos povos indígenas”.

Observação a parte. Eu mesmo, em visita às regiões amplamente distantes da Amazônia cheguei a conversar com indígenas em inglês por ele não falar o português e eu muito menos saber o dialeto dele.

Voltando ao O Le Monde ele cita a piora da região após o início do governo atual e reitera que Bolsonaro ‘deve ser responsabilizado pelo desastre (ocorrido com Dom e Bruno’: “O desmatamento e a extração de ouro explodiram, e a monocultura da soja, sinônimo de empobrecimento dramático da terra, está corroendo a floresta. Bolsonaro também cortou os orçamentos das instituições responsáveis por garantir a proteção da natureza e das pessoas e permitiu que se instalasse um clima de total impunidade que pode explicar o desaparecimento de Dom Phillips e Bruno Pereira. À medida que seu mandato chega ao fim, ele deve ser responsabilizado por esse desastre.”

Do tamanho da Áustria, o Vale do Javari é uma região de difícil acesso. Há a maior concentração de povos isolados, sem nenhum contato com o mundo exterior. Seu número é estimado entre 300 a 500 pessoas segundo especialistas, o que significa que pesam pouco contra a máquina destrutiva que está devastando o “pulmão” do planeta, cujo destino é, no entanto, essencial na luta contra o aquecimento global.

Ao concentrar todos os males da Amazônia, o Vale do Javari tornou-se de fato uma linha de frente. Está ameaçada, como toda esta imensa região, por caçadores e pescadores ilegais, por garimpeiros e agricultura agressiva, até por missionários evangélicos determinados a converter por todos os meios os últimos representantes desses povos isolados.

Soma-se a isso a sombra do narcotráfico. Atravessada por comboios fortemente armados, a área tornou-se um centro de cocaína do Peru e da Colômbia, com destino ao Brasil. Esta situação crítica explica porque Dom Phillips e Bruno Pereira, ambos particularmente experientes, se arriscaram a lá ir: testemunhar incansavelmente a ameaça que paira sobre os últimos agrimensores deste paraíso perdido, bem como sobre uma biodiversidade única.

Tudo sugere que eles poderiam ter sido vítimas do que a Amazônia se tornou hoje: uma área de ilegalidade onde o crime prospera em todas as suas formas, ambientais e sociais, com trabalho forçado, prostituição, hanseníase por drogas e crimes de sangue. Este é o cotidiano, no local, de jornalistas e defensores do meio ambiente, bem como de suas famílias.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, inicialmente reagiu a esses dois desaparecimentos com distanciamento culposo. “É uma aventura que não é recomendada. Tudo pode acontecer”, declarou, antes de se resignar, sob pressão, a mobilizar o exército.

O presidente de fato não é estranho ao que pesa na Amazônia. Ele nunca negou sua visão de uma região que deve ser explorada sem piedade, custe o que custar para seus nativos ou nosso futuro climático. “O interesse da Amazônia não são os índios ou as malditas árvores, mas o minério!”, disse ele sem rodeios em 2019.

Essa visão “desenvolvimentista” também é paranoica. De fato, a presidente constantemente suspeita que organizações não governamentais estrangeiras e povos indígenas sejam agentes de grandes potências que gostariam de colocar as mãos nas riquezas do Brasil e impedir seu desenvolvimento.

“Desde sua chegada aos negócios, o desmatamento e a extração de ouro explodiram, e a monocultura da soja, sinônimo de empobrecimento dramático da terra, está corroendo a floresta. Jair Bolsonaro também cortou os orçamentos das instituições responsáveis por garantir a proteção da natureza e das pessoas e permitiu que se instalasse um clima de total impunidade”.

 Denúncia

Como se tudo o dito acima não bastasse o Delegado Alexandre Saraiva denuncia “máfia da Amazônia” do governo Bolsonaro e cita nomes do que chamou de “bancada de marginais, de bandidos”, entre eles Carla Zambelli, Telmário Motta e Jorginho Melo. Saraiva ex-superintendente da PF no Amazonas, denunciou uma série de parlamentares que fariam parte do que ele chamou de Bancada do Crime na Amazônia.

Durante participação de Saraiva no programa Estudio I, da Globonews, ele foi perguntado se já havia sido ameaçado de morte e afirmou que “a maior parte dos políticos do Norte” trabalharia para o crime organizado: “deputados, senadores e governadores”.

“Vou dizer nomes: Zequinha Marinho, Telmário Mota, Mecias de Jesus, Jorginho Melo (de Santa Catarina!), mandou ofício… Carla Zambelli foi lá também, defender madeireiro junto com Ricardo Salles. Nós temos uma bancada do crime. Em minha opinião, de marginais. São bandidos”, afirmou Alexandre Saraiva.

Em 2021, Alexandre Saraiva foi transferido da Superintendência da PF no Amazonas após comandar a maior apreensão de madeira ilegal da história do Brasil e foi retirado do cargo um dia após apresentar ao STF uma notícia-crime contra Ricardo Salles. Saraiva acusava Salles de dificultar as investigações.


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