A melhora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas pesquisas de opinião tem sido impulsionada, principalmente, pela retomada de apoio em suas bases tradicionais: os eleitores mais pobres e os moradores do Nordeste. Dois levantamentos divulgados na sexta-feira, realizados pelos institutos Ipsos-Ipec e Datafolha, confirmaram a tendência positiva que já havia sido identificada pela Genial/Quaest no mês passado.

Embora Lula ainda enfrente índices de desaprovação superiores aos de aprovação na maioria dos institutos, os números mais recentes indicam uma curva ascendente que vem reduzindo essa diferença. No início do ano, o presidente enfrentou forte desgaste provocado pela alta nos preços dos alimentos e pela crise envolvendo o sistema de pagamentos Pix. Com a inflação agora mais controlada e o impacto direto no preço da comida diminuindo, a situação começa a se estabilizar. Além disso, o discurso nacionalista de Lula em resposta ao tarifaço imposto por Donald Trump aos produtos brasileiros também tem contribuído para o fortalecimento de sua imagem nos últimos meses.

No levantamento do Ipsos-Ipec, realizado entre os dias 4 e 8 de setembro, com 2 mil entrevistados, a aprovação do trabalho de Lula cresceu de 39% em junho para 44%. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais. Esse crescimento foi mais acentuado entre os grupos que haviam se afastado do presidente no início do ano, mas que agora voltam a demonstrar confiança.

Entre os nordestinos, a aprovação subiu sete pontos percentuais, chegando a 63%. No recorte por renda, os eleitores com até um salário mínimo registraram aprovação de 54%, contra 40% de desaprovação. Já entre aqueles que ganham entre um e dois salários mínimos, a disputa está empatada, com 47% de aprovação e 47% de rejeição.

O Datafolha também trouxe dados positivos para Lula. Pela primeira vez em 2025, houve empate numérico entre aprovação e desaprovação, ambas com 48%. Na avaliação do governo, que considera ótimo ou bom, regular e ruim ou péssimo, houve avanço: os índices positivos subiram de 29% em julho para 33% agora. No Nordeste, esse indicador saltou de 38% para 45%, enquanto, entre quem recebe até dois salários mínimos, passou de 34% para 39%.

O desempenho está diretamente ligado ao cenário econômico. O IPCA de agosto registrou deflação de 0,11%, a primeira do ano, puxada pela queda nos preços dos alimentos. No acumulado de três meses, houve redução de 0,91% no custo da comida, revertendo aumentos vistos em 2024 e no início de 2025.

Segundo a Genial/Quaest, a percepção popular também mudou. A parcela que acredita que os preços subiram caiu de 76% para 60%, enquanto os que percebem queda passaram de 8% para 18%, refletindo alívio no orçamento das famílias e fortalecendo a recuperação do governo.

Foto: Ricardo Stuckert/PR

 


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