A decisão do deputado Pedro Lucas Fernandes (União Brasil-MA) de recusar, após 12 dias, o convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o Ministério das Comunicações expôs a fragilidade da base governista e causou constrangimento ao Palácio do Planalto. O gesto atípico amplia o desgaste na relação com o União Brasil em um ano decisivo para o governo, que precisa aprovar medidas importantes para reverter a queda de popularidade e construir alianças de olho em 2026.

Pedro Lucas chegou a ser anunciado pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, como novo titular da pasta, após reunião com Lula no último dia 10. No entanto, pressões internas e divisões no União — partido dividido entre governistas, oposicionistas e defensores de candidatura própria — levaram o deputado a recuar. Em nota, ele pediu desculpas ao presidente e afirmou que sua liderança exige diálogo com diversas correntes.

A recusa foi tratada por auxiliares de Lula como “desrespeitosa” e “trapalhada”. Pedro Lucas substituiria Juscelino Filho, denunciado pela PGR por desvios de emendas — acusações que o ex-ministro nega. Para aliados do Planalto, a decisão evidenciou que o verdadeiro articulador do União junto ao governo é o senador Davi Alcolumbre (AP), defensor da permanência do partido na Esplanada.

Internamente, o partido vive tensão: enquanto Alcolumbre tentava articular Juscelino como novo líder da bancada, a ala oposicionista — liderada por Antonio Rueda e ACM Neto — rechaçava essa possibilidade. A resistência ao nome de Pedro Lucas se intensificou após Lula tornar pública a escolha, aumentando a pressão sobre a direção partidária.

Além do racha, o crescimento das emendas impositivas, que garantem repasses diretos aos deputados, diminuiu o apelo de ocupar cargos no Executivo. No União, 41 dos 59 deputados assinaram o pedido de urgência para votar o projeto de anistia aos golpistas do 8 de Janeiro — tema apoiado por Rueda, mas criticado por Alcolumbre.

Agora, com o desgaste da articulação política e o apoio parlamentar em queda — no União, a taxa de alinhamento ao governo caiu de 71% para 67% — Lula tenta reorganizar a base e acelerar votações como a da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, essencial para sustentar uma candidatura à reeleição em 2026.

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

 


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