O Partido dos Trabalhadores aprovou uma resolução política na qual faz duras críticas à condução da política monetária do país, defende a redução da taxa básica de juros e propõe a revisão da meta de inflação atualmente em vigor. O documento foi aprovado durante reunião do diretório nacional da legenda, realizada em Salvador, e integra o conjunto de diretrizes políticas que orientarão a atuação do partido nos próximos meses, em sintonia com o governo federal.
Na avaliação do PT, a atual taxa Selic, fixada em quinze por cento ao ano, permanece em patamar considerado excessivamente restritivo e incompatível com as necessidades do desenvolvimento econômico e social do país. A resolução afirma que a política monetária conduzida pelo Banco Central do Brasil atua como fator de bloqueio ao projeto escolhido nas urnas, ao restringir investimentos produtivos, ampliar a financeirização da economia e drenar recursos públicos que poderiam ser direcionados a políticas sociais e infraestrutura.
O texto também critica a autonomia formal do Banco Central, instituída em dois mil e vinte e um, durante o governo de Jair Bolsonaro. Segundo o partido, esse modelo limita a capacidade de coordenação entre a política monetária e os objetivos definidos pelo Executivo. Embora o atual presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, tenha sido indicado pelo presidente Lula, o documento observa que a condução da política de juros segue distante das prioridades defendidas pelo campo governista.
Outro ponto central da resolução é a defesa da revisão da meta de inflação, hoje estabelecida em três por cento ao ano. Para o PT, a meta precisa ser compatibilizada com a retomada do crescimento econômico, a geração de empregos de qualidade, o fortalecimento do investimento público e a ampliação das políticas sociais. O partido argumenta que o atual parâmetro impõe custos elevados à economia e limita a capacidade do Estado de promover o desenvolvimento.
No campo trabalhista, a resolução inclui como prioridade o enfrentamento da chamada escala seis por um, que mantém a jornada semanal padrão em quarenta e quatro horas. O documento defende a redução da jornada de trabalho sem redução salarial e a ampliação de direitos para trabalhadores de aplicativos, com garantia de proteção social, renda justa e condições dignas. Essas pautas integram a agenda legislativa do governo, mas encontram resistência organizada de setores empresariais.
A resolução também convoca a militância petista a construir um calendário nacional de mobilizações em defesa do governo Lula, contra a extrema direita e contra o que o partido classifica como projeto rentista e autoritário. Entre as bandeiras destacadas estão o combate à violência contra as mulheres, a defesa da democracia, a redução da jornada de trabalho, o enfrentamento da escala seis por um, a ampliação de direitos trabalhistas e o avanço da tarifa zero no transporte público como política estruturante de justiça social.
A proposta da tarifa zero é tratada com cautela dentro do próprio governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou recentemente que a medida exige estudos complexos de financiamento e que diferentes cenários estão sendo analisados antes de eventual inclusão no programa de governo. Técnicos do Ministério das Cidades também demonstram ceticismo quanto à viabilidade imediata da proposta, apesar de seu apelo social.
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