O presidente Lula (PT) afirmou hoje, em café com lideranças do Congresso, que tem “certeza” que os atentados golpistas em Brasília, que completam um mês hoje, foram arquitetados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “o responsável maior de toda a pregação do ódio” no Brasil.

Sem citar o nome do ex-presidente, Lula afirmou que a “indústria de notícias falsas” existe desde a campanha de 2018, vencida por Bolsonaro. Aos parlamentares, ele também pregou uma melhoria na relação entre Planalto e Congresso.

Esta foi a primeira reunião entre o presidente e 16 lideranças de partidos que deverão compor a base do governo na Câmara e no Senado.

Em encontro fechado no Palácio do Planalto, Lula e ministros fizeram falas em prol do debate democrático entre governo e oposição, em contraposição ao antigo governo, e criticaram as pessoas que, segundo o presidente, deram “um passo a mais” e, impulsionadas por Bolsonaro, “tentaram dar um golpe”.

Hoje, eu não tenho dúvida de que isso foi arquitetado pelo responsável maior de toda a pregação do ódio, de todas as mentiras, indústria de notícias falsas que aconteceu nesse país nos últimos quatro anos.Lula

“Porque [o discurso golpista] não vem de agora, vem desde as eleiões de 2018, quando a gente ainda não tinha tido a experiência da indústria de fake news desse país”, disse Lula, sem falar o nome de Bolsonaro.

O tom duro e crítico do presidente vai ao encontro de recomendação de aliados, que têm a expectativa de ligar diretamente o nome de Bolsonaro aos atos golpistas de 8 de janeiro, mas esperam que haja evolução nas evidências e nas investigações.

Conforme Novojornal mostrou, um mês após a invasão e depredação das sedes dos três Poderes, ainda faltam respostas sobre a omissão de agentes de segurança, mas uma possível participação organizada de lideranças políticas, incluindo a possível influência de Bolsonaro, é um dos focos das investigações da PF e do Judiciário.

Pessoas próximas ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, que conduz os inquéritos, e membros de órgãos ligados às investigações, como o Ministério da Justiça, dizem que o papel de Bolsonaro precisa ser esclarecido.

Uma tentativa de golpe que possivelmente poderia ter sido organizada para o dia 1º [de janeiro, dia da posse presidencial] e que não foi por causa da quantidade de gente em Brasília, mas que eles tomaram a decisão de fazer aquele vandalismo que nenhum de nós estávamos habituados a ver no Brasil, afirmou Lula

O presidente lembrou os anos de luta sindical, entre as décadas de 1970 e 1980, quando ida de São Paulo a Brasília, para fazer protestos durante a ditadura militar, mas não “fazia vandalismo”.

“Nós não tivemos nunca a intenção de invadir o Congresso Nacional, a Suprema Corte ou o Palácio do Planalto. A gente vinha aqui, fazia nosso protesto, dizia o que a gente queira e voltava pra casa”, afirmou.


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