O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem sinalizado a seus aliados que, após o segundo turno das eleições municipais, pretende revisar o cenário político e reestruturar a Esplanada dos Ministérios. Embora ainda não haja clareza sobre a extensão e o ritmo dessa reforma, tampouco se acontecerá antes da eleição dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado, em fevereiro de 2025, as discussões já começaram, mesmo que de forma preliminar.
O resultado das eleições municipais pode ser um fator determinante para essas mudanças, especialmente após o avanço da centro-direita no primeiro turno e as derrotas do PT em redutos tradicionais. Na última quarta-feira (16), Lula negou publicamente qualquer plano de mudança iminente na equipe, associando sua postura à satisfação com os resultados até então. “Poucas vezes a imprensa trata de ‘Lula vai mudar ministério’. Porque no mandato passado, todo dia eu tinha que responder: ‘vou trocar ministério’, e eu não tenho nenhum interesse e nenhuma pressa de mexer no time que está ganhando”, afirmou o presidente em Natal.
Entretanto, em conversas com assessores e aliados, Lula tem admitido preocupações em áreas como a comunicação do governo, a mobilização popular e a articulação política no Senado. O presidente também se queixa da falta de resultados efetivos de seus ministros, principalmente no que diz respeito à conversão de votos no Congresso Nacional. Diante desses sinais, colaboradores do Planalto acreditam que mudanças podem começar pela substituição de Márcio Macêdo, atual titular da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pela interlocução com movimentos sociais.
Um dos cenários em discussão envolve a substituição de Macêdo por Paulo Pimenta, atual ministro da Secretaria de Comunicação (Secom). Na terça-feira (15), Pimenta se reuniu com agências de publicidade contratadas pelo governo para discutir uma campanha de fim de ano, com foco nos avanços econômicos e na marca do governo Lula. O desempenho dessa campanha pode influenciar o futuro de Pimenta. Caso ele seja deslocado, nomes como o do publicitário Sidônio Palmeira, responsável pela comunicação da campanha de Lula, e Laércio Portela, que já ocupou interinamente a Secom, são cotados para assumir o posto.
Outro nome citado para a Secom é o prefeito de Araraquara, Edinho Silva (PT), em um redesenho mais amplo que também cogita Pimenta para a presidência do partido. Atualmente, Edinho é considerado favorito para suceder Gleisi Hoffmann (PR) no comando do PT. Embora Pimenta tenha sido cogitado para o cargo, ele desistiu da disputa. Gleisi, por sua vez, é mencionada em possíveis rearranjos ministeriais, sendo cotada para pastas como Desenvolvimento Social ou a Secretaria-Geral da Presidência. Contudo, ela tem indicado a intenção de permanecer na presidência do partido até fevereiro de 2025, quando termina seu mandato.
Entre os possíveis nomes para integrar o governo, destaca-se o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Lula tem se aproximado de Pacheco nos últimos dois anos, e o presidente do Senado é visto como um nome forte para o governo de Minas Gerais em 2026, além de potencial candidato para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). Pacheco também foi cogitado para pastas como Justiça, Defesa ou até a Advocacia-Geral da União (AGU). No governo, ele poderia atuar na articulação política com o Senado e o Judiciário.
Para enfrentar os desafios no Senado, alguns aliados de Lula sugerem que o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT-PI), retorne à sua cadeira como senador eleito, reforçando a articulação no Legislativo. Isso abriria espaço para a senadora Teresa Leitão (PT-PE) assumir o Ministério das Mulheres, permitindo a ascensão de seu suplente, Silvio Costa (Republicanos), ao Senado. Pai do ministro Silvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), Costa é visto como um importante aliado na articulação política do governo.
Internamente, a SRI (Secretaria de Relações Institucionais), comandada por Alexandre Padilha, também é alvo de discussões. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), rompeu com Padilha, chamando-o de “incompetente”. No entanto, a calmaria durante o período eleitoral e a proximidade do fim do mandato de Lira deram sobrevida a Padilha, que já foi cotado para assumir o Ministério da Saúde, cargo que ocupou no governo Dilma.
Parlamentares acreditam que Lula deve realizar mudanças na Esplanada já pensando em 2026 e na possibilidade de reeleição. O aumento de representantes do centrão em ministérios atualmente ocupados por petistas também é considerado uma estratégia para fortalecer alianças.
Foto: Ricardo Stuckert / PR

