A Lagoa da Pampulha, um dos principais símbolos de Belo Horizonte e patrimônio cultural reconhecido mundialmente, voltará a receber passeios turísticos a partir de dezembro. O anúncio foi feito neste domingo, cinco de outubro, pelo prefeito Álvaro Damião, durante a assinatura do Termo de Cooperação com a Federação Mineira de Vela (FMVela). O ato também marcou a oficialização da navegabilidade no espelho d’água, em uma iniciativa que integra as comemorações pelos cento e vinte e oito anos da capital mineira.

Segundo o prefeito, a reabertura representa um resgate histórico e emocional para a população. “Estive recentemente na Pampulha, em dezesseis de maio, quando o Conjunto Arquitetônico completou oitenta e dois anos. Naveguei pelo espelho d’água e pedi à equipe: quero que o povo de Belo Horizonte tenha o mesmo prazer que estou tendo hoje, de ver de dentro da Lagoa da Pampulha a imagem da Igreja de São Francisco, do Mineirão, do Mineirinho. Desde que o ex-prefeito Fuad Noman iniciou o trabalho de limpeza da lagoa, ela vem se transformando. Estou dando continuidade às boas práticas do Fuad, e uma delas era cuidar da Lagoa da Pampulha”, declarou Damião.

O projeto piloto de navegabilidade terá duração inicial de três meses e prevê licitação para contratar embarcações do tipo catamarã, com capacidade para trinta passageiros sentados e ampla visibilidade para contemplação da paisagem. As viagens ocorrerão de quinta-feira a domingo, entre oito e dezessete horas, com três saídas diárias. Os ingressos serão gratuitos e disponibilizados em plataforma digital da Prefeitura.

Os passeios terão duração aproximada de uma hora, incluindo embarque e desembarque, e seguirão um trajeto que permite a observação dos principais monumentos e edificações do Conjunto Moderno da Pampulha. Durante o percurso, guias turísticos apresentarão informações históricas, culturais e ambientais sobre a região. As embarcações deverão contar com banheiro, sistema de som e fornecimento de água potável, garantindo conforto e segurança aos visitantes.

Álvaro Damião ressaltou que o projeto vai além da navegação e se insere em uma estratégia mais ampla de valorização do patrimônio cultural. “Nossas ações não se resumem a tornar a lagoa navegável. Trata-se de um projeto transformador, de valorização do Conjunto Moderno da Pampulha, com gestão ambiental, urbanística e promoção turística. A Lagoa da Pampulha é dos belo-horizontinos, dos mineiros, dos brasileiros. No aniversário da cidade, em dezembro, as pessoas poderão navegar novamente pela lagoa”, afirmou o prefeito.

Para garantir a segurança das operações, dezessete servidores da Guarda Municipal e da Diretoria de Manutenção de Bacias (DMAB/SMOBI) concluíram o Curso de Formação para Marinheiros Fluviais Auxiliares, ministrado pela Capitania Fluvial de Minas Gerais, órgão vinculado à Marinha do Brasil. As equipes técnicas da Prefeitura também elaboram pareceres e estudos sobre o modelo de navegação, as embarcações adequadas e os critérios de segurança exigidos pela legislação marítima.

A navegabilidade da Pampulha só se tornou viável graças ao avanço na qualidade da água, resultado de um amplo programa de recuperação ambiental iniciado em dois mil e dezesseis. De acordo com o monitoramento mais recente da Prefeitura e da Copasa, divulgado em setembro, a Lagoa apresenta Índice de Qualidade da Água variando entre bom e ótimo, condição que assegura a realização de atividades turísticas e esportivas.

Durante o evento de domingo, atletas da Federação Mineira de Vela realizaram um treino de reconhecimento do espelho d’água. A navegação partiu da rampa interna do Iate Tênis Clube, seguiu em direção à Casa do Baile, passou pela Praça de Iemanjá e retornou margeando o Museu de Arte da Pampulha. A demonstração simbolizou a retomada das atividades náuticas e a confirmação das condições ideais para o tráfego seguro de embarcações.

A FMVela assinou um protocolo de intenções com a Prefeitura, prevendo cooperação técnica para a reativação segura e ordenada das atividades náuticas, realização de eventos-teste, capacitação de novos praticantes e desenvolvimento de programas de educação ambiental voltados à comunidade local. O acordo inclui também a criação de um calendário permanente de eventos esportivos na lagoa.

A administração municipal firmou ainda um convênio com a Capitania Fluvial de Minas Gerais para fiscalizar o tráfego de embarcações e as atividades náuticas. Paralelamente, a Prefeitura iniciou tratativas com a PBH Ativos e parceiros externos para desenvolver um modelo de concessão dos serviços turísticos da Pampulha, permitindo a participação da iniciativa privada na gestão de passeios, embarcações e demais estruturas.

Após o período de testes, os serviços deverão ser licitados e concedidos à iniciativa privada. O objetivo é garantir sustentabilidade financeira, qualidade no atendimento e manutenção contínua das operações turísticas.

A proposta de reativar os passeios náuticos foi apresentada originalmente em dezesseis de maio, quando Belo Horizonte celebrou os oitenta e dois anos do Conjunto Moderno da Pampulha. Desde então, o Grupo de Trabalho para Retomada da Navegação e Uso do Espelho d’Água tem conduzido estudos técnicos, jurídicos e ambientais. O grupo avaliou experiências semelhantes em outras cidades, levantou legislações pertinentes e promoveu consultas a órgãos como a Marinha do Brasil, o Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Representantes da Capitania Fluvial realizaram diversas visitas técnicas à lagoa para verificar as condições de navegabilidade, segurança e infraestrutura. Após inspeções, confirmaram que o espelho d’água apresenta condições adequadas para receber embarcações turísticas.

A retomada da navegação faz parte do “Projeto Transformador de Valorização e Promoção do Conjunto Moderno da Pampulha”, um plano abrangente de gestão integrada que articula preservação ambiental, requalificação urbana e fortalecimento do turismo. Entre seus objetivos estão o aumento da visitação, a valorização do patrimônio histórico e cultural e o incentivo a atividades econômicas sustentáveis na região.

Coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura, o projeto conta com a participação da Fundação Municipal de Cultura, da Belotur e das secretarias municipais de Obras e Infraestrutura, Meio Ambiente, Esportes e Planejamento e Gestão. A Comissão de Gestão Integrada do Conjunto Moderno da Pampulha, instituída por decreto municipal, é responsável por acompanhar a execução das ações e garantir que todas as etapas respeitem os princípios de preservação do patrimônio e de sustentabilidade.

Ao encerrar o anúncio, Álvaro Damião destacou que a reabertura da Lagoa da Pampulha simboliza uma nova fase para Belo Horizonte, unindo história, turismo e meio ambiente. “Estamos devolvendo à cidade um de seus maiores símbolos, com responsabilidade e planejamento. A Pampulha volta a ser o espelho da nossa identidade e um orgulho de todos os belo-horizontinos”, concluiu o prefeito.

Foto: Rodrigo Clemente/PBH


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