A sugestão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que tropas internacionais poderiam integrar uma força de paz na Ucrânia foi prontamente rejeitada pela Rússia. Em comunicado oficial divulgado nesta segunda-feira, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, reiterou a posição de Moscou. “Reafirmamos nossa posição repetidamente declarada sobre a rejeição categórica de qualquer cenário que envolva o aparecimento de contingentes militares da Otan na Ucrânia, o que ameaça uma escalada incontrolável do conflito com consequências imprevisíveis”, declarou.
A rejeição russa não é inédita. Ainda em fevereiro, o chanceler russo, Sergei Lavrov, havia deixado claro que “não pode considerar nenhuma opção” que envolvesse forças de paz estrangeiras no território ucraniano, acrescentando que “ninguém perguntou à Rússia” sobre esse tipo de presença militar. Dmitry Medvedev, ex-presidente da Rússia e atual vice-presidente do Conselho de Segurança, também fez declarações duras na época, afirmando que tropas de paz europeias enviadas para a Ucrânia “voltariam para casa em caixões”.
A mudança de tom de Trump sobre o conflito também chamou atenção. Até recentemente, o presidente norte-americano defendia que o cessar-fogo deveria ser o objetivo central das negociações, chegando a ameaçar novas sanções contra a Rússia e seus aliados caso não houvesse um acordo até o início deste mês. O prazo passou sem avanços e, na última sexta-feira, ao lado de Vladimir Putin, Trump mudou sua posição. Ele passou a defender a priorização de um acordo de paz direto, em vez de uma pausa temporária nos combates.
“Não acho que você precise de um cessar-fogo”, disse Trump em entrevista, acrescentando que “podemos negociar um acordo de paz enquanto eles lutam. Eles precisam lutar. Eu gostaria que eles parassem, mas estrategicamente isso pode ser uma desvantagem para um lado ou para o outro”.
As declarações foram bem recebidas pela Rússia, que se opõe a cessar-fogos temporários por considerar que eles dariam tempo para a Ucrânia reforçar suas defesas com apoio militar ocidental. Na rede social X, Kirill Dmitriev, aliado próximo de Putin e participante das negociações, compartilhou os comentários de Trump, destacando especialmente a diferença entre uma “paz duradoura” e uma pausa momentânea.
Trump ainda revelou que pretende manter contato direto com os principais envolvidos. Ele afirmou que conversará por telefone com Putin após sua reunião na Casa Branca, assim como fez anteriormente com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e líderes europeus. “Ele (Putin) está esperando minha ligação quando terminarmos esta reunião”, disse Trump, acrescentando que não descarta um encontro trilateral com Putin e Zelensky. “Se não tivermos um acordo trilateral, a luta continua. Mas, se tivermos, existe uma boa chance de encerrar a guerra”, concluiu.
Foto: Andrew Caballero

