Sara é a mais nova candidata ao cargo de Senadora por Minas Gerais dessas eleições e a única candidata de um partido de esquerda com representação no Congresso a disputar uma cadeira de Senadora em Minas Gerais e a primeira mulher lésbica a concorrer pelo cargo na Câmara Alta do país.
Nascida em Belém do Pará, Sara Azevedo mudou-se para Belo Horizonte para trabalhar na rede de Educação de Minas Gerais em 2010. Segundo a candidata o compromisso com o ensino público foi despertado quando cursava Educação Física na Universidade do Estado do Pará (Uepa).
Sara enxerga a escola como um espaço de desenvolvimento da autonomia das pessoas e da transformação social. Em seu trabalho, busca promover a inclusão e o discurso pela igualdade. Em seu artigo “Uma contribuição ‘freiriana’ para uma escola colorida”, abordou como a teoria de Paulo Freire pode ser aplicada na construção de uma escola mais acolhedora para jovens LGBTs e de uma sociedade mais unida, pautada na empatia e no respeito ao próximo.
Em “‘Feminização do Trabalho’, educação e o papel da escola”, Sara propõe a reflexão sobre o empoderamento das meninas através do ensino. Discutiu como as atividades realizadas pelo corpo de professores pode colaborar na desconstrução de papéis sociais e na inserção de mulheres no mercado de trabalho.
Para a pré-candidata, o ensino de Educação Física não se restringe à prática de esportes. Através da disciplina, Sara trabalha o autorreconhecimento da turma de estudantes, incentivando a construção de suas identidades, o respeito, o espírito de coletividade, a responsabilidade para com o outro e rompendo com estereótipos de gênero e sexualidade.
“A educação física é muito mais do que uma quadra. Ela pode servir para transformar vidas e transformar a realidade através da educação, entendendo que a educação física é também construtora do sujeito não enquanto uma ilha isolada e que se encerra em si mesmo, mas que se relaciona e depende de outros indivíduos, da sociedade, da natureza e do trabalho”, diz Sara Azevedo.
“Dessa forma, a perspectiva se torna muito mais ampliada do que somente a quadra. A disciplina propõe o entendimento do corpo, a imersão desse corpo na sociedade, compreendendo as vivências e ainda a praticidade dos processos que precisam ser permeáveis às disciplinas e os conteúdos que são tratados na escola”, conclui.
Sara colaborou com o projeto Comunidades Educativas, do Instituto Cultiva. Era responsável por mediar a relação do instituto com a gestão da secretaria municipal de Educação de Contagem, cidade contemplada com as ações da iniciativa, coordenando a comunidade educadora e formando os articula- dores comunitários.
Em 2016, o Comunidades Educativas foi reconhecido pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) como um dos 16 projetos de educação com maior êxito na promoção de um ensino transformador. A iniciativa utiliza da prática educacional para compreender a realidade das turmas, de seus responsáveis e de suas famílias.
O método visa mapear os problemas enfrentados pela comunidade beneficiada pelo serviço e orientar o poder público sobre as políticas sociais que devem ser adotadas. Participou da fundação do “Emancipa” em Minas, projeto iniciado primeiramente em São Paulo que oferece cursos de preparação para o vestibular, capacitação e formação em idiomas estrangeiros. Em território mineiro, o Emancipa atua em Belo Horizonte, Ibirité, Manga, Montes Claros, Pouso Alegre e Uberlândia. Atualmente, Sara é coordenadora do projeto no Estado.
Sara destaca o entendimento sobre a importância da desconstrução dos papéis de gênero e da valorização da mulher na sociedade, nasce em seu seio familiar, citando seu exemplo: Filha de mãe solo, acompanhou, desde muito cedo, o esforço de sua mãe Odeisa Azevedo para garantir o sustento de casa e a dignidade para a vida.
Defende que do reconhecimento da força da mulher na sociedade e de seu papel de transformação social, nasce a consciência sobre o feminismo da pré-candidata. Em sua avaliação, o feminismo é uma causa orgânica, que não tem origem na formação formal, mas na vivência das mulheres.
“O feminismo para mim não é somente leitura, mas é prática daquilo que conseguimos ser e perceber da sociedade”, explica.
Afirma ainda que a descoberta de sua homossexualidade se deu aos 24 anos, quando ela beijou pela primeira vez outra mulher. O seu processo de entendimento sobre a orientação sexual, como na maioria das pessoas LGBTs, não foi imediata.
Até os 25 anos entendia-se como bissexual. A compreensão de que é lésbica veio a partir de seu amadurecimento e reconhecimento de processos de autonegação. Afirmar-se enquanto lésbica não é só demarcação de sua identidade, também cumpre um papel político de reivindicação de direitos e de visibilidade para a comunidade LGBT+.
Sara é esposa de Juliana Selbach, servidora do Banco do Brasil em Belo Horizonte, e se conheceram no PSOL. O namoro veio em 2014, durante um encontro do MES (Movimento Esquerda Socialista), em Brasília. Casaram-se em 11 de junho de 2016.
Sara é filiada ao PSOL há 15 anos. É uma das fundadoras do Juntos, coletivo de militância jovem do MES, e do Juntas, coletivo feminista da corrente psolista. Também atua no setorial LGBT+ do partido em Minas Gerais. A disputa pelo Senado não é a primeira da qual participa. Já foi candidata a deputada federal em 2014; a vice-governadora em 2018; e a vereadora de Belo Horizonte em 2020.
Agenda da candidata:
– Segunda, 15 de agosto: Sara participa de roda de conversa, via Twitter Spaces, promovida pelo influencer Igor Mag. Às 20h, na página Igor Mag (@oigormag) no Twitter e com sua equipe realiza contagem regressiva para início da campanha eleitoral. No Bar do Nilson (R. Genebra, 1013/1017 – Nova Suíça, BH), às 21h30.
– Sexta, 19 de agosto: Sara almoça com as integrantes do MTST. Na Cozinha Solidária (Rua Jandira Marques Tolentino, 14 -Vila Itatiaia, Montes Claros), às 11h, reúne-se com lideranças do MST. No Armazém do Campo (Rua Francelina Dias Cardoso, 257 – Major Prates, Montes Claros), às 17h30 e caminhada com apoiadores durante as atividades das Festas de Agosto. No Centro de Montes Claros, a partir das 20h.
– Sábado, 20 de agosto: Sara vai ao Miss Gay, no Terrazzo (Av. Deusdedith Salgado, 5050 – Salvaterra, Juiz de Fora). Às 20h.

