A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado aprovou nesta terça-feira (10) as indicações de Nilton David, Gilneu Vivan e Izabela Correa para ocupar três diretorias do Banco Central (BC), indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Agora, as indicações seguem para análise e votação no plenário do Senado. Caso aprovados, os novos diretores assumirão seus postos em 1º de janeiro de 2025.
Nilton David, indicado para a Diretoria de Política Monetária, destacou em sua sabatina a importância da atuação firme do BC no controle da inflação. Ele afirmou que a autoridade monetária deve agir com “serenidade e perseverança” para cumprir seu mandato de garantir a estabilidade de preços. “O país vive um dos menores níveis de desemprego de sua história, mas a inflação e as expectativas seguem acima do centro da meta. O Banco Central precisa manter uma atuação firme nesse cenário”, disse.
David possui extensa experiência no mercado financeiro, tendo chefiado a tesouraria do Bradesco desde 2019. Antes disso, atuou em bancos como Morgan Stanley, Barclays e Goldman Sachs, além de ser sócio da gestora Canvas Capital. É graduado em engenharia de produção pela Poli-USP.
Questionado pelos senadores sobre a situação fiscal do Brasil, David afirmou que o país não enfrenta uma dominância fiscal — situação em que as políticas monetárias perdem eficácia devido a problemas fiscais. “Tenho convicção de que o Brasil não está próximo de uma dominância fiscal”, declarou, enfatizando que o BC continua eficaz no controle da inflação.
Izabela Correa foi indicada para a Diretoria de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do Banco Central. Durante sua sabatina, reforçou o compromisso da instituição com a estabilidade de preços. “O Copom tem sido claro em seu compromisso com a meta de inflação, e é esse mandato que vamos perseguir”, afirmou.
Correa é servidora do BC desde 2006 e possui ampla experiência em temas como prevenção à lavagem de dinheiro e combate ao financiamento do terrorismo. Ela também atuou na Controladoria-Geral da União (CGU) como secretária de Integridade Pública. Sua formação inclui doutorado em governo pela London School of Economics, pós-doutorado na Universidade de Oxford, mestrado em ciência política pela UFMG e graduação pela Fundação João Pinheiro, em Minas Gerais.
Correa destacou que a autonomia do Banco Central não significa isolamento. “A autoridade monetária trabalha para alcançar a meta definida pelo Conselho Monetário Nacional e se reporta ao poder democraticamente eleito”, afirmou.
Gilneu Vivan foi aprovado para a Diretoria de Regulação, substituindo Otavio Damaso. Em sua sabatina, Vivan enfatizou que o país enfrenta desafios inflacionários, agravados por um cenário internacional desfavorável. “O Comitê de Política Monetária tem reafirmado seu compromisso com a convergência da inflação à meta. Caso seja aprovado, seguirei esse trabalho com base na excelência do corpo técnico do BC”, disse.
Servidor do Banco Central desde 1994, Vivan chefiava o Departamento de Regulação do Sistema Financeiro, responsável por normas sobre produtos bancários, governança e controles internos. Ele também representou o Brasil em grupos internacionais, como o Financial Stability Board. Vivan é mestre em gestão econômica pela Universidade de Brasília e bacharel em economia pela UFRGS.
Questionado sobre a estabilidade de preços, Vivan reforçou que o BC agirá sempre que necessário para conter a inflação. Ele também abordou o impacto das políticas monetárias no mercado cambial, destacando que intervenções no câmbio têm efeito temporário.
Os três indicados foram aprovados pela CAE com votos favoráveis expressivos. Nilton David recebeu 23 votos a favor e 4 contrários; Izabela Correa, 24 votos a favor e 3 contrários; e Gilneu Vivan, 23 votos a favor e 4 contrários.
Os senadores destacaram a experiência técnica dos indicados e sua capacidade de enfrentar os desafios atuais do Banco Central. O senador Rogério Carvalho (PT-SE), relator do processo, elogiou a vivência de Nilton David no mercado financeiro, afirmando que sua experiência contribuirá para proteger o país de ataques especulativos.
Se confirmados pelo plenário do Senado, os novos diretores assumirão em um momento de desafios econômicos, com projeções de inflação acima do teto da meta para 2024 e 2025. Segundo o último boletim Focus, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2024 em 4,84% e 2025 em 4,59%, ambos acima do centro da meta.
As indicações refletem a busca do governo Lula por uma composição do Banco Central alinhada às prioridades econômicas e sociais da atual gestão. A autonomia do BC, garantida por lei, permite que a instituição atue de forma técnica, mas as escolhas para as diretorias são estratégicas para o governo.
Com nomes técnicos e com ampla experiência, as indicações de Nilton David, Izabela Correa e Gilneu Vivan representam a renovação de lideranças no Banco Central, com foco em estabilidade econômica e compromisso com o mandato legal da instituição. O plenário do Senado dará a palavra final sobre as nomeações nos próximos dias.
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

