O Senado Federal promoverá, em 12 de agosto, o seminário “Democracia em perspectiva na América Latina e no Brasil”, com o objetivo de ampliar o debate sobre os desafios contemporâneos das democracias no continente. O evento acontecerá no Auditório Petrônio Portella e terá como convidado o cientista político americano Steven Levitsky, professor da Universidade de Harvard.
Levitsky é um dos principais estudiosos da política comparada, com ênfase em regimes democráticos e autoritários, partidos políticos e instituições frágeis. É coautor da obra “Como as democracias morrem”, escrita em parceria com Daniel Ziblatt, que se tornou referência ao abordar como governos democraticamente eleitos podem corroer gradualmente as estruturas democráticas. “O livro mostra que não são apenas os golpes militares que destroem as democracias, mas também a deterioração lenta e institucional causada por líderes eleitos”, resume o Senado.
A programação do seminário inclui a participação da historiadora e cientista política Heloísa Starling, professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e do senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), que preside o Conselho Editorial do Senado. “O objetivo é estimular a reflexão sobre os avanços democráticos no Brasil e os riscos de retrocesso”, afirmou Randolfe. Estudantes, pesquisadores e demais interessados poderão se inscrever gratuitamente pelo portal do Senado. As vagas são limitadas, e os participantes receberão certificado. “A proposta é envolver o público acadêmico e a sociedade em geral nesse debate essencial para a cidadania”, reforçou a organização.
Na ocasião, será lançada a coletânea “Democracia ontem, hoje e sempre”, composta por quatro livros reeditados pelo Conselho Editorial do Senado. Um dos volumes é “1964 Visto e Comentado pela Casa Branca”, de Marcos Sá Corrêa, que examina documentos oficiais norte-americanos e a percepção da Casa Branca sobre a queda de João Goulart. Outro título é “Sessenta e Quatro: Anatomia da Crise”, de Wanderley Guilherme dos Santos, que analisa os elementos internos e externos que culminaram no golpe de 1964, com ênfase na polarização ideológica e no papel das elites. A coletânea inclui ainda “Explode um Novo Brasil – Diário da Campanha das Diretas”, de Ricardo Kotscho, que registra o movimento pelas eleições diretas e o contexto político de 1984. O quarto volume é “1964: Álbum Fotográfico de um Golpe de Estado”, organizado por Heloisa Starling, Danilo Marques e Lívia de Sá, reunindo 71 imagens que retratam a preparação, execução e consequências do golpe de 1964.
Ao destacar a importância da iniciativa editorial, Randolfe Rodrigues declarou: “Os 40 anos de redemocratização são a maior conquista civilizatória do Brasil”. E acrescentou: “Há uma geração inteira que não viveu o arbítrio. Precisamos preservar a memória para que nunca mais volte a acontecer”.
Foto: Fundação/FHC

