Na sexta-feira (29/4), está prevista uma reunião no Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) que pode autorizar a instalação de um empreendimento em uma área equivalente a cerca de 1.200 campos de futebol. O local é um ponto de desejo antigo das mineradoras, e ambientalistas alertam para impactos perigosos na capital mineira caso mais uma etapa do plano avance nos órgãos ambientais do Estado.
Para a vereadora de BH e apoiadora do “Tira o pé da minha serra”, Duda Salabert (PDT), mesmo sem a finalização do tombamento, o avanço do processo de instalação da mina não poderia acontecer.
“O Ministério Público foi muito claro na mensagem de que bem em análise de tombamento é bem tombado. O andamento do processo de mineração não poderia ter avançado, por isso que é um movimento ilegal”, aponta.
Em março deste ano, conselheiros estaduais do Patrimônio Cultural de Minas Gerais divulgaram uma carta aberta relatando fortes dificuldades em finalizar o processo de tombamento da Serra do Curral como patrimônio estadual. Os entraves são avaliados como medidas que viabilizam empreendimento como o da mineradora Tamisa, que não seriam possíveis caso o local fosse protegido.
O plano da mineradora inclui a exploração da região da Fazenda Ana da Cruz, que fica em Nova Lima, na divisa com a capital e próxima ao Pico Belo Horizonte, ponto mais alto da serra.
Entre os impactos previstos pelo movimento estão a destruição da biodiversidade na serra, que abriga quase 40 espécies de plantas e animais ameaçados de extinção; poluição do ar causada pelas explosões utilizadas para a extração do minério; a poluição sonora causada pela atividade mineradora em três turnos diários (manhã, tarde e madrugada); riscos de desabamentos ampliados pelas explosões e pela falta de vegetação que evita a erosão do solo; além da morte de cursos d’água que nascem na região.
“Como a mineração vai acontecer numa altitude maior que a da cidade, está na rota de vento que passa pela Serra do Curral. Além de desmatar, o que já atrapalha no arrefecimento da temperatura e na qualidade do ar, o empreendimento vai usar explosivos que jogam quilos e mais quilos de carbono direto no meio ambiente” explica a ativista ambiental e membro do “Tira o pé da minha serra”, Jeanine Oliveira.
Há também o temor de que o processo de instalação das estruturas da mina danifique a adutora de água da captação de Bela Fama, em Nova Lima, responsável pelo abastecimento de cerca de 70% da população da capital.
Mesmo diante de críticas, o processo de instalação da Tamisa na Serra do Curral foi avançando nos processos de licenciamento ambiental do Estado. Autarquias ligadas à Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), como o Instituto Estadual de Florestas (IEF), deram anuência ao projeto apresentado pela mineradora.
A reunião do Copam, marcada para sexta-feira (29), é a etapa final de avaliação técnica dos órgãos ambientais do Estado. No site do “Tira o pé da minha serra”, o movimento oferece um dispositivo para enviar um apelo aos conselheiros do órgão pedindo o indeferimento do projeto.

