O Sindicato de Engenheiros do Estado de Minas Gerais (Senge) estuda entrar na Justiça contra a Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) após as últimas movimentações referentes a composição dos membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lagoa da Pampulha.

Para o presidente da entidade, Murilo Valadares, a renúncia de dois vereadores como membros titulares da comissão pode ter sido uma manobra após os vereadores rejeitarem o parecer contra os indiciamentos dos servidores da prefeitura e do secretário de governo, Josué Valadão.

Segundo Valadares, a entidade irá avaliar uma possível medida judicial após a votação do novo relatório nesta quarta-feira (11/7).

“O resultado de hoje refletiu a nossa luta, fizemos diversas notas e manifestos. Mas achamos esquisito após o resultado de hoje dois vereadores renunciarem. Eticamente não é legal. Perderam e agora querem mudar?”, questionou Valadares.

O presidente do Senge ressaltou ainda que a categoria não faz parte de nenhuma disputa política entre Legislativo e Executivo. “Não fazemos parte de qualquer disputa. Defendemos os engenheiros e a ciência. Fazemos um apelo também para a prefeitura analisar juridicamente essa situação”, completou.

Após a rejeição do relatório da CPI da Lagoa da Pampulha nesta terça-feira (11/7), os vereadores Irlan Melo (Patriotas) e Sérgio Fernando de Pinho Tavares (PL) renunciaram seu posto como integrante da CPI.

Com isso, a expectativa é que mesmo com a apresentação do novo relatório da vereadora Flavia Borja (PP) nesta quarta-feira (12/7), que deve ser favorável à prefeitura, os vereadores da oposição tenham maioria e rejeitem o parecer da parlamentar. Nos bastidores, a informação é que os vereadores da oposição irão apresentam um relatório alternativo ao da vereadora Flavia, sugerindo o indiciamento de alguns membros da prefeitura.

A reportagem entrou em contato com a presidência da Câmara para comentar as alegações feitas pelo Sindicato de Engenheiros do Estado e a aguarda um posicionamento.

Protesto

Servidores e profissionais de engenharia e arquitetura protestaram, nesta terça-feira (11/7), na Câmara Municipal de Belo Horizonte, contra os trabalhos realizados na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Lagoa da Pampulha.

Para a vice-presidente do Sindicato dos Arquitetos e Urbanistas de Minas Gerais (Sinarq-MG), Dulce Magalhães, os trabalhos da CPI demonstram a incapacidade técnica dos vereadores em analisar o tema. A arquiteta questiona a capacidade de vereadores que não são especialistas em saneamento ambiental e recursos hídricos em analisar relatórios de profissionais formados.

“Estamos indignados com o negacionismo científico, da má fé de uma parcela da Câmara Municipal. Ao longo da oitivas se questionou várias as licitações de manutenção da lagoa, isso mostra a incapacidade deles (vereadores). A Pampulha é um organismo vivo, claro que todos nós queremos que a Copasa tire o esgoto, isso vai melhorar demais, inclusive, em diminuir o montante a gente gasta para limpar a lagoa, mas sempre vai ter que haver manutenção. O que eles chamam de enxugar gelo, na verdade, o termo técnico para manutenção”, explica Dulce.

Segundo ela, a limpeza da lagoa é um trabalho que precisa ocorrer constantemente. “As chuvas ocorrem sazonalmente e leva poluentes e sedimentos. Não vai precisar de manutenção só se parar de chover. A manutenção ela tem que ser constante, ela tem que ser sistemática. Essa CPI não é uma CPI técnica, porque ela não teve o arcabouço, o embasamento técnico necessário pra realmente chegar a uma conclusão”, explicou.


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