O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresente explicações, em até 48 horas, sobre possíveis descumprimentos das medidas cautelares que lhe foram impostas pela Corte. A intimação ocorreu na noite desta quarta-feira (20), às 20h34, com prazo para resposta até sexta-feira (22). A decisão atende a pedido do ministro Alexandre de Moraes, que ordenou que Bolsonaro seja ouvido pela Polícia Federal (PF) diante das novas evidências apresentadas em relatório.

O documento elaborado pela PF aponta que Bolsonaro e seu filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atuaram para interferir no julgamento da ação penal em curso no Supremo que apura a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. Moraes destacou, em seu despacho, a necessidade de esclarecimentos sobre descumprimentos reiterados de cautelares, a prática de condutas ilícitas e o risco de fuga.

Segundo o relatório, figuras como o pastor Silas Malafaia e o comentarista Paulo Figueiredo também participaram das articulações. Ambos teriam atuado em campanhas de pressão contra ministros do STF, na disseminação de notícias falsas e em movimentações internacionais para constranger instituições democráticas. Investigadores indicam que Eduardo Bolsonaro e Figueiredo buscaram apoio de autoridades nos Estados Unidos para pressionar o Brasil com sanções, sob alegação de perseguição política.

A análise do celular de Bolsonaro revelou violações à proibição de uso das redes sociais. Foram identificados compartilhamentos de vídeos que tratavam das sanções norte-americanas contra Moraes, além da divulgação de eventos. O relatório ainda apontou contatos com o advogado Martin de Luca, ligado à Trump Media & Technology Group e à plataforma Rumble, que acionou a Justiça dos EUA contra Moraes alegando censura.

Outro ponto de destaque é o risco de fuga. Em poder do ex-presidente foi encontrado um documento de 33 páginas, estruturado como um pedido de asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei. Para a PF, esse material indica preparo para eventual evasão diante do avanço das investigações e do risco de condenação.

Foto: Evaristo Sá

 


Avatar

administrator