O Supremo Tribunal Federal retoma nesta terça-feira o julgamento do núcleo responsável pela disseminação de desinformação e ataques coordenados ao sistema eleitoral nas vésperas e após o resultado das eleições de 2022. Essa etapa do processo concentra-se no grupo apontado pelas investigações como o responsável por alimentar suspeitas infundadas sobre as urnas eletrônicas, impulsionar teorias conspiratórias e insuflar atos antidemocráticos que culminaram na tentativa de ruptura institucional. A Procuradoria-Geral da República afirma que os sete réus atuaram de maneira conjunta para criar ambiente de descrédito no processo eleitoral e mobilizar apoiadores radicalizados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Os acusados são o ex-major Ailton Barros, o major da reserva Angelo Denicoli, o engenheiro Carlos Rocha, o subtenente Giancarlo Rodrigues, o tenente-coronel Guilherme Marques Almeida, o policial federal Marcelo Bormevet e o coronel Reginaldo Vieira de Abreu. De acordo com a PGR, o grupo divulgou conteúdos falsos e promoveu transmissões ao vivo com incitação explícita contra as instituições, além de buscar interferir no relatório do Ministério da Defesa sobre a segurança das urnas, apesar de o documento não ter apontado nenhuma irregularidade.
O julgamento ocorre após a condenação de Bolsonaro e de outros sete envolvidos na execução da tentativa de golpe de Estado. Agora, a Corte analisa a responsabilidade dos articuladores ideológicos e comunicacionais que fomentaram o ambiente golpista. A expectativa é que os ministros sigam o relator, Alexandre de Moraes, e votem pela condenação dos acusados pelos crimes de associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e incitação ao crime.
Foto: Gustavo Moreno/STF

