O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, telefonou para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o objetivo de discutir a pauta da anistia. Segundo interlocutores que acompanharam a ligação, a conversa teve caráter inicial e serviu mais para sondar o terreno do que para encaminhar decisões. Tarcísio abordou o tema de forma superficial, sem detalhar pontos específicos do projeto, enquanto Motta não deu sinais claros de apoio.

A movimentação ocorre em um momento em que Jair Bolsonaro deu aval a Tarcísio para ampliar sua atuação política nacional, já de olho nas eleições presidenciais de 2026. Em entrevistas recentes, o governador declarou que, caso fosse eleito presidente, seu primeiro ato seria conceder perdão ao ex-presidente. “Na hora. Primeiro ato. Porque eu acho que tudo isso que está acontecendo é absolutamente desarrazoado”, afirmou.

Nos bastidores, Tarcísio tem se dedicado a encontros políticos e articulações com partidos do Centrão. Participou de jantares promovidos por dirigentes do União Brasil e do PP, onde trouxe a discussão da anistia para a mesa, sondando possíveis apoios. Entre líderes do Congresso, é visto como alguém capaz de dialogar além da base bolsonarista, o que pode facilitar negociações em torno da pauta, embora ainda haja resistência significativa entre deputados.

Hugo Motta, no entanto, tem adotado cautela desde que assumiu a presidência da Câmara há sete meses. Em declarações recentes, disse que não vê clima para uma anistia ampla na Casa. Durante coletiva em Pernambuco, nesta segunda-feira, reforçou sua posição ao descartar qualquer aceleração do processo. “Será debatida no momento certo”, afirmou.

O tema também esteve presente no encontro entre Arthur Lira e Bolsonaro nesta segunda-feira. O ex-presidente da Câmara visitou Bolsonaro em prisão domiciliar, ocasião em que ele pediu apoio na articulação pela anistia.

Foto: Divulgação/Republicanos

 


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