Com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deverá visitar Jair Bolsonaro na próxima quinta-feira, em um movimento interpretado por aliados como tentativa de reaproximação política após semanas de ruído entre os dois. O encontro ocorrerá no Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde o ex-presidente cumpre pena.

A visita acontece depois de Tarcísio ter cancelado, na semana passada, uma ida ao local que estava prevista para o dia vinte e dois. Na ocasião, a justificativa oficial apresentada pelo governador foi a existência de compromissos administrativos em São Paulo. Apesar disso, ele permaneceu no Palácio dos Bandeirantes durante todo o dia, o que gerou questionamentos e especulações no meio político.

No fim de semana, Tarcísio voltou a se posicionar publicamente ao declarar apoio à mobilização convocada pelo deputado federal Nikolas Ferreira, do PL de Minas Gerais, em defesa da libertação de Bolsonaro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o governador afirmou que a caminhada representava “uma vontade imensa de mudança” e que o ato expressava o inconformismo de parte da população diante do que classificou como “uma crise moral” no país.

A reaproximação ocorre em um contexto de tensão interna no campo bolsonarista. Na semana anterior, aliados de Tarcísio avaliaram que a visita ao ex-presidente poderia ser interpretada como um gesto político ligado à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro, ao Palácio do Planalto. Para evitar esse simbolismo, o governador decidiu recuar naquele momento.

Na sexta-feira seguinte ao cancelamento, Tarcísio afirmou que a ausência se deu por motivos pessoais e procurou afastar a ideia de conflito. Segundo ele, não houve pressão política e o foco passaria a ser o apoio à campanha de Flávio Bolsonaro. “Não tem nada de pressão. Até porque agora a gente vai trabalhar muito em prol do Flávio Bolsonaro, não vai ter problema nenhum com relação a isso”, declarou. O governador acrescentou ainda que “com o tempo, as coisas vão se acomodando” e disse ter certeza de que o senador terá “uma candidatura muito competitiva”.

Apesar do discurso público, Tarcísio admitiu a interlocutores que ficou incomodado com declarações feitas por Flávio Bolsonaro. O senador havia afirmado que, durante a visita, ouviria do pai que uma eventual candidatura presidencial de Tarcísio estaria descartada e que a prioridade deveria ser a reeleição ao governo paulista. O episódio ampliou o desconforto e ajudou a adiar o encontro.

Jair Bolsonaro está preso desde o fim de novembro e cumpre pena de vinte e sete anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Por determinação judicial, todas as visitas ao ex-presidente precisam ser previamente autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do processo no Supremo Tribunal Federal.

Mesmo reafirmando em diversas ocasiões que disputará a reeleição em São Paulo, Tarcísio tem adotado movimentos que mantêm aberta sua projeção nacional. O governador intensificou críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ampliou interlocução com lideranças de direita e passou a tratar com mais frequência de temas de alcance nacional.

No entorno do governador, a avaliação é de que a visita a Bolsonaro busca recompor pontes políticas e reduzir ruídos dentro do campo conservador, sem um rompimento formal com o discurso de reeleição estadual. A leitura predominante é de que Tarcísio tenta preservar espaço tanto no cenário paulista quanto no debate presidencial, mantendo-se como um dos principais nomes da direita para os próximos anos.

Foto: Cristiano Mariz


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