Uma iniciativa lançada nesta sexta-feira (04/04) no Recife pretende transformar o turismo do Nordeste a partir da aplicação de soluções tecnológicas e inovadoras. Trata-se do Programa Destino Futuro, que vai conectar startups e empresas de inovação a micro, pequenas e médias empresas do setor turístico. A proposta é buscar respostas práticas para os principais desafios enfrentados pelo setor, promovendo um salto de qualidade nos serviços prestados e na sustentabilidade das atividades.
Idealizado em parceria pela Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Porto Digital, o programa prevê um investimento inicial de R$ 3 milhões. Os interessados em participar poderão se inscrever gratuitamente até 5 de maio por meio da plataforma EmbraturLab.
Embora o foco esteja no Nordeste, a ação também abrange os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, áreas sob a jurisdição da Sudene. O objetivo central é fomentar o desenvolvimento sustentável da cadeia turística, com mais competitividade e modernização. O programa foi estruturado para atender às demandas identificadas por estados e representantes do setor turístico.
“O turismo é uma pauta estratégica para o desenvolvimento do Nordeste. É um setor com capilaridade enorme, que gera empregos e movimenta uma cadeia produtiva bastante ampla, que vai desde hotéis e restaurantes até prestadores de serviços, como guias turísticos e artesãos”, afirmou Danilo Cabral, superintendente da Sudene.
Segundo Cabral, o Destino Futuro surge como resposta concreta às necessidades identificadas pelas lideranças estaduais e por profissionais do ramo turístico. Ele enfatizou que a iniciativa contribui para posicionar o turismo como eixo central da geração de renda e inclusão social na região.
Dados do Ministério do Turismo revelam que o setor foi responsável por gerar mais de 400 mil empregos formais no Brasil. Especificamente no Nordeste, os empreendimentos ligados ao turismo registraram crescimento de 52% nos últimos três anos. Esses números reforçam o potencial da região, sobretudo diante de estratégias que apostem em tecnologia e inovação.
Para Roberto Gevaerd, diretor de Gestão e Inovação da Embratur, o programa marca uma guinada na atuação da agência. A instituição passa a atuar também no desenho e na execução de políticas públicas baseadas em dados, como já ocorre com o EmbraturLab, laboratório voltado para a inovação no turismo.
“O Nordeste sempre foi protagonista em ações voltadas ao turismo. Todos os estados da região têm investido fortemente na atração de turistas internacionais. Não dá para pensar qualquer iniciativa nessa área sem envolver a Sudene e o Porto Digital, que tem papel de destaque no campo tecnológico e nas conexões com startups”, ressaltou Gevaerd.
De acordo com ele, entre os principais resultados esperados estão a validação de provas de conceito (POCs), a mobilização de startups, o desenvolvimento de produtos e processos sustentáveis e o aumento da competitividade internacional do turismo brasileiro.
Gevaerd explicou que o foco do programa é identificar as chamadas “dores” do setor turístico, ou seja, os principais problemas enfrentados por empreendedores, e buscar soluções personalizadas para cada contexto. “Por exemplo, uma solução de logística pode resolver um gargalo de um hotel. Já uma tecnologia para gestão de água pode ajudar empreendimentos em áreas com escassez hídrica. E há ainda questões relacionadas à destinação de resíduos ou ao uso de energia limpa. Estamos falando de uma cadeia ampla, que inclui desde o barraqueiro da praia até o dono de resort”, exemplificou.
Ele destacou ainda que o turismo brasileiro é formado, majoritariamente, por pequenos e médios empresários. Por isso, qualquer ação que promova acesso a soluções tecnológicas pode acelerar transformações e gerar impactos concretos. “Não dá para pensar em competitividade no turismo hoje sem o apoio de ferramentas digitais e soluções inteligentes”, concluiu.
O Programa Destino Futuro será implementado em três fases. Na primeira etapa, serão selecionadas 20 propostas de negócios e soluções inovadoras, com base nas principais necessidades do setor turístico. Em seguida, entre 10 e 15 iniciativas passarão por uma nova triagem. Por fim, cinco projetos serão escolhidos para receber mentoria do Porto Digital e apoio financeiro para o desenvolvimento de suas soluções.
Com sede em Recife, o Porto Digital é considerado um dos maiores parques tecnológicos da América Latina. O ambiente reúne startups, empresas de base tecnológica, instituições de ensino e centros de pesquisa. A expertise do polo é voltada, principalmente, para áreas como tecnologia da informação, inteligência artificial, automação, comunicação digital e inovação mobile.
Cada um dos cinco projetos selecionados poderá contar com até R$ 533 mil para colocar suas ideias em prática. O prazo de execução será de 12 meses, abrangendo as etapas de planejamento, desenvolvimento, implantação e avaliação. Ao final, todas as soluções serão testadas em campo para aferição de resultados.
Pierre Lucena, presidente do Porto Digital, destacou a possibilidade de ampliar os impactos do programa. “A nossa expectativa é que muitos problemas que hoje nem estão no radar apareçam por meio dessa escuta ativa do setor. E, a partir das soluções propostas, consigamos replicar tecnologias em diferentes regiões do Brasil, pois muitos desafios são semelhantes entre as cidades e equipamentos turísticos”, afirmou.
Foto: Alexis Regis/MTur

