No ano de 2023, Minas Gerais se destacou como o segundo Estado com o maior número de flagrantes de trabalho infantil, revelam dados recentes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Um total de 326 crianças e adolescentes foram identificados trabalhando, ficando atrás apenas do Mato Grosso do Sul, que registrou 372 casos.

A gravidade da situação se acentua ao considerar o estudo “O trabalho infantil no Brasil”, realizado pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. Em 2019, havia 288.358 menores atuando no mercado de trabalho em Minas Gerais, refletindo um problema que permeia todo o país, com 1,9 milhão de casos em 2022, segundo dados do IBGE. Esses números evidenciam a ineficácia dos esforços de “resgate” do MTE diante do cenário geral.

Perda da Inocência e Riscos à Saúde

Elvira Cosendey, coordenadora do Fórum de Erradicação e Combate ao Trabalho Infantil, destaca a triste consequência dessa realidade: a perda da inocência, uma característica tão fundamental na infância e adolescência. As vítimas desse contexto são expostas precocemente a um mundo adulto, muitas vezes marcado pelo contato com drogas e álcool, podendo até mesmo se envolver em atividades ilícitas, como o tráfico de drogas.

Além da perda da inocência, essas crianças e adolescentes enfrentam riscos à saúde física, já que frequentemente não recebem a devida atenção e estão sujeitas a acidentes devido à falta de experiência e compreensão dos perigos do trabalho.

Desafios na Busca por Soluções

Para combater o trabalho infantil, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) recorre a denúncias e fiscalizações, tratando-o de forma equiparável ao trabalho análogo à escravidão, conforme destaca Carlos Calazans, superintendente da pasta em Minas Gerais. No entanto, a ganância dos empregadores em explorar mão de obra infantil persiste, privando essas crianças de um futuro digno.

A rede de apoio para o resgate dessas vítimas inclui a Polícia Militar, o Conselho Tutelar e profissionais de psicologia, mas Calazans ressalta que a participação da população é fundamental. O maior desafio, segundo ele, é promover uma visão compassiva em relação às crianças, reconhecendo que seu lugar é na escola e não no mercado de trabalho.


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