União Brasil e Progressistas (PP) chegaram a um acordo para formalizar uma federação partidária e devem oficializar a aliança na próxima terça-feira, durante evento no Congresso Nacional. O entendimento entre as cúpulas das duas legendas inclui um rodízio no comando da nova federação. O presidente do União Brasil, Antonio Rueda, será o primeiro a ocupar o cargo de líder da federação, e após seu mandato — cuja duração ainda será definida — o comando deverá ser assumido pelo ex-presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Apesar do avanço, interlocutores próximos a Lira afirmam que ele ainda resiste ao modelo de rodízio e tenta manter a proposta inicial do PP, que previa sua ascensão imediata à liderança da federação. O acordo, no entanto, se fortaleceu devido à aliança entre o presidente do PP, Ciro Nogueira, e Antonio Rueda.

A criação da federação ocorre em meio a tensões regionais. Em estados como Pernambuco e Paraíba, lideranças locais das duas legendas rivalizam. No caso de Pernambuco, o deputado Mendonça Filho (União-PE) se opõe à união, pois disputa espaço com o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE). Na Paraíba, Efraim Filho (União-PB) rivaliza com Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que busca viabilizar a candidatura de seu sobrinho Lucas Ribeiro, atual vice-governador.

Caso a federação se concretize, ela formará a maior força política do Congresso Nacional, com 107 deputados federais e 14 senadores. Essa configuração garante ampla influência na ocupação de espaços no Legislativo e nas articulações para as eleições de 2026.

Pelas regras eleitorais, as legendas federadas devem atuar em conjunto por no mínimo quatro anos, tanto no Congresso quanto nas disputas eleitorais em âmbito municipal, estadual e nacional. Esse compromisso exige alinhamento programático e disciplina partidária.

A federação também levanta preocupações internas no União Brasil. Alguns parlamentares temem perder protagonismo regional para lideranças do PP e cogitam deixar o partido durante a janela partidária de 2026 — período em que deputados podem trocar de legenda sem risco de perda de mandato por infidelidade partidária.

Segundo Efraim Filho, as divergências locais ainda serão discutidas antes do período eleitoral. “Soube que a direção nacional levará esse debate para março do próximo ano, a fim de avaliar qual projeto tem maior viabilidade eleitoral para vencer as eleições”, afirmou o senador.

Foto: Reprodução/Redes sociais

 


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