Dono do maior tempo de rádio e TV do horário gratuito de propaganda eleitoral, o União Brasil ficará neutro durante o 1º turno da disputa pela sucessão do governo de Minas Gerais. A posição foi confirmada pela Executiva estadual em nota encaminhada à imprensa nesta segunda-feira (8). O posicionamento é assinado pelo presidente estadual do União, deputado federal Marcelo Freitas, e pelo secretário-geral, Bilac Pinto.
O União informou que “não apresentará nomes para concorrer aos cargos de governador, vice-governador e/ou senador no Estado de Minas Gerais” e “não fará parte, em 1º turno, de quaisquer coligações majoritárias no Estado”. “As atenções do partido estarão focadas nas candidaturas proporcionais, respeitando-se a liberdade de escolha de seus filiados e o amplo debate de ideias inerentes ao processo democrático”, disse.
Bilac reforça que o foco do União serão os candidatos a deputados federais e estaduais. “A avaliação que nós temos é que a eleição em Minas Gerais terá um 2º turno. Então, nós liberamos os nossos candidatos. A prioridade é eleger o maior número possível de deputados federais e estaduais. Não queremos estar a serviço de uma candidatura majoritária”, explica o secretário-geral.
A posição contradiz o senador Carlos Viana (PL), que, diante das desconfianças contra a própria candidatura ao governo de Minas, anunciou o apoio do União na última terça-feira (2). No arranjo então divulgado por Viana, o partido indicaria o vice-candidato, já que o deputado estadual Cleitinho Azevedo (PSC) ocuparia o posto de candidato ao Senado. Depois, inclusive, o PSC anunciou que Cleitinho, apesar de candidato ao Senado, não estaria formalmente na chapa encabeçada por Viana.
Após o anúncio, na quarta, Viana até publicou uma foto ao lado de Freitas e Bilac depois de uma reunião dos três no plenário do Senado, havia a expectativa entre interlocutores de Viana de que o secretário-geral do União assumisse não apenas a vice, mas também a coordenação da campanha. Entretanto, o embarque do União Brasil no projeto encabeçado por Viana ainda não era dado como certo nos bastidores.
Tanto é que o ex-deputado federal Marcus Pestana (PSDB), em compasso de espera por uma aliança, ainda tinha como primeira opção para a vice um nome do União. O nome de uma mulher é, na verdade, a segunda opção. Quando oficializou a candidatura de Pestana em uma reunião na última sexta-feira (5), a federação PSDB-Cidadania apresentou uma chapa apenas com o vereador de Belo Horizonte Bruno Miranda (PDT) como candidato ao Senado, ou seja, com a vice vaga.
O apoio do União também era cortejado pelo ex-prefeito Alexandre Kalil (PSD). Kalil tinha a seu favor não só a preferência do presidente nacional do União Brasil, Luciano Bivar, como a relação próxima entre quadros do extinto Democratas com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e com o senador Alexandre Silveira (PSD). Porém, a aliança entre Kalil e o PT era avaliada como um ônus, uma vez que enfrentava resistências junto aos candidatos a deputados federais e estaduais do União.
Por outro lado, o União ainda esteve próximo de embarcar na chapa encabeçada pelo governador Romeu Zema (Novo) para a reeleição. Secretário de Estado de Governo de Zema por sete meses entre 2019 e 2020, Bilac foi convidado para a vice, mas o nome do deputado federal, que abriu mão da reeleição, não gozava de tanto prestígio junto a alguns quadros do Novo, o que inviabilizou a aliança.

