O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira que a família Bolsonaro precisa resolver divergências internas para aumentar as chances de vitória nas eleições presidenciais. Segundo ele, a unidade do grupo será decisiva em uma disputa que, na avaliação do dirigente, tende a ser apertada.

Durante participação em evento do grupo Lide, em São Paulo, Valdemar destacou que o senador Flávio Bolsonaro deve concentrar esforços na apresentação de propostas concretas, evitando ataques diretos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para o dirigente, a construção de um plano de governo consistente será fundamental para conquistar eleitores.

“O Flávio vai ter que mostrar o que ele vai fazer, não deve perder tempo atacando o Lula. Ele está se preparando, fazendo um plano de governo real e viável”, afirmou. Na sequência, ressaltou que os conflitos internos precisam ser superados. “Eles têm problemas na família, lógico, mas vamos ter que resolver todos, porque essa eleição será decidida por muito pouco”, disse.

Valdemar também associou o cenário político à situação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. Segundo ele, a vitória eleitoral seria essencial para viabilizar o retorno do parlamentar ao Brasil. A declaração reforça a avaliação de que a disputa presidencial terá impacto direto sobre o futuro político da família.

Em conversa com jornalistas, o dirigente ponderou que os atritos são consequência do grande número de integrantes da família envolvidos na política. Ainda assim, minimizou suspeitas envolvendo Eduardo Bolsonaro após questionamentos do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

O episódio envolve um vídeo gravado por Eduardo durante participação em evento conservador nos Estados Unidos. Na gravação, ele afirmou que o conteúdo seria mostrado ao pai. No entanto, Jair Bolsonaro está submetido a restrições que impedem o uso de meios de comunicação externa.

Valdemar afirmou não acreditar em irregularidades. “Tenho certeza que Bolsonaro não verá esse vídeo. A Michelle esteve no partido e disse que não entra telefone lá. Ele sempre respeitou a lei”, declarou. Para o dirigente, Eduardo pode ter se equivocado, mas não agiu de má-fé.

No campo eleitoral, o presidente do PL voltou a defender que a chapa encabeçada por Flávio Bolsonaro tenha uma mulher como candidata a vice. Ele mencionou a senadora Tereza Cristina como um nome relevante, embora tenha reconhecido que ela pretende disputar o Senado.

Valdemar também descartou a possibilidade de Michelle Bolsonaro ocupar o posto, argumentando que a escolha deve ampliar alianças com outros partidos. “Quem decide é o candidato, junto com o pai, mas é importante abrir espaço”, afirmou.

Ao comentar a pré-candidatura do governador Ronaldo Caiado, o dirigente reconheceu a força política do adversário, mas demonstrou ceticismo quanto ao desfecho da disputa. Para ele, o cenário mais provável é um segundo turno entre Flávio Bolsonaro e Lula, com eventual apoio de Caiado no campo da direita.

Foto: Marcello Casal Jr /Agência Brasil


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