O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, revelou que o partido já utilizou todo o valor disponível do fundo eleitoral, aproximadamente R$ 886 milhões, no primeiro turno das eleições. Além disso, o partido recorreu a cerca de R$ 50 milhões do fundo partidário para complementar o orçamento, totalizando quase R$ 950 milhões gastos até agora.

Valdemar expressou preocupação sobre o financiamento das campanhas no segundo turno, afirmando que o partido enfrentará dificuldades financeiras. Ele atribui essa situação à falta de apoio do governo Lula, uma vez que o PL não faz parte da base governista, o que impacta a arrecadação de doações. Outro fator mencionado por Valdemar foi a resistência do ex-presidente Jair Bolsonaro em solicitar contribuições financeiras de seus apoiadores.

“Não temos nada no governo e o Bolsonaro não pede doações”, afirmou o presidente do PL. Segundo ele, mesmo diante da situação financeira, optou por não pedir a Bolsonaro que solicitasse doações, temendo uma baixa arrecadação, mesmo que o ex-presidente fizesse o apelo.

Apesar disso, Valdemar está confiante de que o partido conseguirá cobrir as despesas do segundo turno com doações, argumentando que a captação de recursos se torna mais fácil quando restam apenas dois candidatos no páreo.

O fundo eleitoral, que atingiu R$ 5 bilhões para esta eleição municipal, teve sua maior fatia destinada ao PL, de Bolsonaro, e ao PT, do presidente Lula. A divisão do fundo entre os 29 partidos registrados no TSE foi baseada no desempenho das legendas nas eleições de 2022. O PL recebeu pouco mais de R$ 886 milhões, enquanto o PT ficou com R$ 620 milhões, embora o partido forme uma federação com PCdoB e PV, o que eleva sua cota a R$ 721 milhões.

Além desses dois partidos, o União Brasil, com R$ 537 milhões, é a terceira legenda com mais recursos, e juntas, essas três siglas detêm mais de 40% do total de verbas disponíveis.

Desde 2015, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu doações de empresas privadas para campanhas eleitorais, argumentando que o poder econômico desequilibrava o processo democrático, o financiamento das campanhas passou a ser feito por meio de fundos públicos, como o fundo eleitoral e o fundo partidário.

O fundo eleitoral, criado a partir das eleições de 2018, usa recursos públicos para financiar as atividades de campanha. Em 2020, para as eleições municipais, o valor foi de R$ 2 bilhões, mas para 2024, após pressão de deputados e senadores, o fundo foi elevado para R$ 5 bilhões, com correção pela inflação, sendo sancionado pelo presidente Lula.

Além do fundo eleitoral, os partidos também têm acesso a R$ 1,24 bilhão do fundo partidário. O PL, por exemplo, financia quase integralmente as campanhas dos filhos de Jair Bolsonaro. Carlos Bolsonaro, candidato à reeleição para vereador no Rio de Janeiro, recebeu R$ 1,8 milhão do partido, enquanto Jair Renan Bolsonaro, que concorre em Balneário Camboriú, obteve R$ 135,1 mil. Renato Bolsonaro, irmão de Jair Bolsonaro e candidato a prefeito em Registro (SP), recebeu R$ 391,6 mil do PL.

 

 


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