O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deve se reunir nesta quinta-feira (14) em São Vicente e Granadinas com o presidente da Guiana, Irfaan Ali, em meio a altas tensões sobre a disputa envolvendo a área de fronteira de Essequibo, potencialmente rica em petróleo.

O desacordo sobre a região de selva, com 160 mil quilômetros quadrados (km²), existe há décadas, mas a Venezuela reativou sua reivindicação, incluindo áreas offshore nos últimos anos, após grandes descobertas de petróleo e gás.

A disputa está sendo julgada pela Corte Internacional de Justiça, embora uma decisão final possa demorar anos. Os eleitores da Venezuela rejeitaram este mês a jurisdição do tribunal e apoiaram, em plebiscito, a criação de novo estado.

A Guiana questionou a participação na votação e disse que sua fronteira terrestre não está em discussão. Analistas políticos em Caracas consideram o plebiscito uma tentativa de Maduro de avaliar o apoio ao seu governo antes das eleições presidenciais de 2024, e não um primeiro passo para invasão.

O primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas, Ralph Gonsalves, que também atua como presidente pro tempore da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), deve ser o anfitrião da reunião, que ele anunciou no fim de semana.

Esperamos conseguir um relaxamento das tensões e diminuir a agressividade do discurso da Guiana”, disse o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yván Gil, a jornalistas no início desta semana, reiterando os comentários de Maduro e seus aliados de que a votação lhes deu um mandato para controlar Essequibo.

Irfaan Ali, da Guiana, afirmou que seu país defenderá a soberania e fronteiras, e que a Venezuela deve diminuir o ritmo de seus avanços em relação à Guiana.

Na semana passada, Maduro disse que autorizaria a exploração de petróleo em Essequibo, o que provocou a ira de Ali. Ele procurou garantir aos investidores com projetos já aprovados pelo governo guianense, incluindo a Exxon Mobil e a futura parceira Chevron, que seus investimentos estão seguros.

As áreas offshore são responsáveis pela totalidade da produção de petróleo na Guiana, cuja economia está em expansão graças à produção, que deve dobrar para mais de 1,2 milhão de barris por dia até 2027.

Não vamos a lugar nenhum – nosso foco continua sendo o desenvolvimento dos recursos de forma eficiente e responsável, conforme nosso acordo com o governo da Guiana”, disse a Exxon esta semana, acrescentando que as alegações do governo de Maduro de que a empresa estaria envolvida no financiamento de um complô para prejudicar o plebiscito são “ridículas e sem fundamento”.


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