Os deputados Márcio Jerry (PCdoB-MA) e Rubens Pereira Júnior (PT-MA), vice-líderes do governo Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara dos Deputados, enviaram um ofício ao presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), pedindo que um suposto caso de grampo envolvendo ambos seja encaminhado à Polícia Federal. O documento, datado de 13 de outubro, cita informações que circulam em Brasília sobre possíveis gravações de áudios relacionadas a um inquérito da Polícia Civil do Maranhão.
Segundo os parlamentares, os áudios teriam sido submetidos a perícia e, posteriormente, encaminhados à imprensa, sem que eles próprios tivessem tido acesso ao conteúdo. “Se confirmadas as informações, trata-se de uma repugnante violação das prerrogativas parlamentares”, afirmam no texto, apontando também “possível uso político do aparato policial” no episódio.
Os dois deputados pedem “providências urgentes” da Câmara e defendem que o caso seja tratado com “a devida gravidade”, por envolver agentes públicos no exercício de mandato federal. No ofício, eles solicitam que Hugo Motta determine a adoção de medidas institucionais imediatas e que o caso seja remetido à Polícia Federal para investigação completa.
Ainda conforme o documento, as informações sobre o suposto grampo começaram a circular entre os dias 7 e 8 de outubro, sem que os parlamentares tenham recebido qualquer notificação oficial da Polícia Civil sobre o conteúdo das gravações ou mesmo sobre a existência delas. “É inadmissível que gravações ilegais, se existirem, circulem de forma clandestina e seletiva, sem a ciência dos envolvidos”, destacam.
O ofício informa também que Márcio Jerry apresentou uma notícia de fato ao Ministério Público do Maranhão, solicitando apuração sobre a conduta de agentes da Polícia Civil no episódio. Segundo ele, o objetivo é assegurar “o controle externo da atividade policial” e garantir transparência nas investigações.
Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados

