O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, advertiu hoje (29) que a Europa será incapaz de lidar sozinha com a ajuda militar e financeira à Ucrânia se os Estados Unidos (EUA) renunciarem ou atrasarem a assistência a Kiev.

A Europa sozinha não poderá apoiar a Ucrânia como tem feito até agora, nem financeira nem militarmente”, disse o líder ucraniano em entrevista ao primeiro canal da televisão pública alemã ARD.

Zelensky admitiu que existe grande risco de alguns líderes europeus começarem a vacilar se não houver sinais positivos por parte dos Estados Unidos.

Ele citou como possíveis consequências a falta de armas e de recursos financeiros para a Ucrânia e a perda da aliança Estados Unidos-Europa.

Outra consequência seria o reconhecimento de que a Europa estaria sozinha na defesa contra a Rússia se a Ucrânia não conseguisse impedir o avanço das tropas russas para outros países.

“Isso seria uma ameaça séria. E [o presidente russo Vladimir] Putin tiraria o máximo partido” da situação, alertou, citado pela agência espanhola EFE.

Zelensky comentou ainda uma hipotética saída dos Estados Unidos da Organização do Tratado do Atlântico Norte, a Otan, se Donald Trump voltar ao poder, afirmando que outros países poderiam mudar de posição, especialmente os que têm laços econômicos com a Rússia.

Uma mudança na política de defesa dos EUA em relação à Ucrânia e à Europa poderia também significar o fim da política comum de sanções contra a Rússia, disse.

Zelensky admitiu que reagiria de forma normal se Trump fosse eleito, argumentando que Kiev tem o apoio de democratas e republicanos, apesar de alguns republicanos estarem bloqueando um pacote de ajuda de US$ 61,4 bilhões.

A Ucrânia tem contado com ajuda financeira e em armamento dos aliados ocidentais desde que a Rússia invadiu o país, em 24 de fevereiro de 2022.

Os aliados de Kiev também têm decretado sanções contra setores-chave da economia russa para tentar diminuir a capacidade de Moscou de financiar o esforço de guerra na Ucrânia.

O conflito de quase dois anos provocou a destruição de importantes infraestruturas em várias áreas na Ucrânia, bem como um número indeterminado de vítimas civis e militares.


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