O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema afirmou nesta segunda-feira que a crise envolvendo o Banco Master tornou mais difícil o cenário eleitoral da direita para a disputa presidencial de 2026. Durante participação em evento promovido pela Amcham Brasil, em São Paulo, Zema declarou que eleitores que apoiarem o senador Flávio Bolsonaro “muito provavelmente” estarão favorecendo a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo o pré-candidato do Partido Novo, o escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro agravou as dificuldades da oposição conservadora. Zema afirmou que, na eleição de 2022, a direita não enfrentou uma crise semelhante e demonstrou preocupação com a possibilidade de o episódio comprometer as chances eleitorais do campo oposicionista.

As declarações ocorreram poucos dias após divulgação de pesquisa Datafolha apontando crescimento de Lula em simulação de segundo turno contra Flávio Bolsonaro. O levantamento mostrou o presidente com quarenta e sete por cento das intenções de voto, contra quarenta e três por cento do senador. Na rodada anterior, ambos apareciam empatados tecnicamente com quarenta e cinco por cento.

Integrantes próximos de Zema avaliam que um candidato de direita sem ligação com o caso Banco Master teria melhores condições de enfrentar Lula em eventual segundo turno. A pesquisa também indicou altos índices de rejeição para ambos os pré-candidatos, com Flávio Bolsonaro aparecendo numericamente acima do presidente.

Durante o encontro em São Paulo, Zema endureceu novamente o discurso contra o senador bolsonarista, apesar da antiga proximidade política entre os dois. O governador mineiro afirmou diversas vezes que nunca manteve relação com Daniel Vorcaro, apesar de ambos viverem em Minas Gerais.

“Assombração sabe para quem ela vai aparecer e bater na porta”, declarou Zema ao comentar a aproximação entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro. O pré-candidato também usou expressões populares para criticar relações políticas baseadas em vínculos familiares e proximidade pessoal.

“Gambá cheira gambá”, afirmou Zema ao dizer que sempre ouviu a expressão no interior mineiro. Ele acrescentou que prefere pessoas competentes para funções públicas em vez de soluções baseadas em parentesco ou relações familiares.

Apesar das críticas, Zema declarou que apoiaria Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno contra o PT. O ex-governador também afirmou continuar aberto ao diálogo político com o senador.

Segundo Zema, Flávio tentou procurá-lo após a divulgação das reportagens envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”, mas ambos não chegaram a conversar por causa de desencontros de agenda.

Abertura ao diálogo sempre vai existir. Eu só não concordo é com alguém que se aproxime de criminoso”, afirmou o pré-candidato mineiro.

O governador também minimizou o fato de familiares ligados a Daniel Vorcaro terem realizado doações ao Partido Novo em eleições anteriores. Segundo ele, na época das contribuições ainda não existiam denúncias públicas envolvendo o Banco Master.

Enquanto Zema adotou postura mais crítica em relação a Flávio Bolsonaro, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado preferiu discurso mais cauteloso durante o mesmo evento promovido pela Amcham Brasil.

Caiado afirmou não querer agir de forma oportunista e defendeu a união da centro-direita para enfrentar o PT nas eleições presidenciais. Segundo ele, o principal objetivo das forças conservadoras deve ser impedir a continuidade do atual governo federal.

Apesar do tom moderado, Caiado afirmou que as explicações apresentadas até agora por Flávio Bolsonaro sobre as conversas com Daniel Vorcaro ainda não foram convincentes.

O ex-governador goiano também declarou que o Brasil atravessa um momento de “desordem institucional” e afirmou que a estabilidade política dependerá da “estatura moral” do próximo presidente da República.

Além das críticas ao cenário político nacional, tanto Zema quanto Caiado direcionaram parte de seus discursos ao Supremo Tribunal Federal. Caiado defendeu que ministros do STF eventualmente atingidos por denúncias relacionadas às próprias trajetórias sejam afastados por decisão interna da própria Corte.

Já Zema propôs mudanças estruturais no funcionamento do Supremo. Entre as sugestões apresentadas pelo governador mineiro estão a criação de idade mínima de sessenta anos para ministros, o fim de decisões monocráticas em temas considerados relevantes e a adoção de listas tríplices para escolha dos integrantes do tribunal.

“O Supremo sempre foi um porto seguro, um poder moderador no Brasil no passado, mas de uns quinze anos para cá virou um incendiário”, declarou Zema durante o encontro empresarial em São Paulo.

As manifestações ocorreram em meio ao aprofundamento das disputas internas dentro da direita brasileira sobre a sucessão presidencial de 2026 e sobre os impactos políticos provocados pelas investigações relacionadas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil


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