Uma matéria da jornalista Victória Cócolo, da “Folha de São Paulo”, destacou que os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Jr. (PSD-PR), cotados para disputar a Presidência em 2026 pela direita, não responderam se leram o relatório da Polícia Federal que acusa o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de articular uma trama golpista em 2022. O relatório aponta o envolvimento de 12 militares da ativa e sugere que o plano incluía até o assassinato de autoridades.

Ao questionar os três governadores e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO) sobre o conteúdo do relatório, resultado de dois anos de investigações. Enquanto Caiado admitiu não ter lido o documento, os outros governadores permaneceram em silêncio.

A Secretaria de Comunicação de São Paulo informou que Tarcísio não comentaria o caso. Durante a inauguração de uma metalúrgica em Mogi Guaçu (SP) nesta quarta-feira (27), ele foi abordado por jornalistas sobre o tema, mas recusou-se a responder. A coletiva foi encerrada abruptamente.

Embora Tarcísio tente adotar uma postura de moderação, o governador tem demonstrado apoio a Bolsonaro. Nas redes sociais, ele criticou a investigação da PF, alegando que “carece de provas”, mas não mencionou as acusações de que o plano incluía a morte de líderes políticos como Lula, Geraldo Alckmin (PSB) e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Zema, aliado de Bolsonaro, não se manifestou até a publicação da matéria. Já Ratinho Jr. afirmou que “indiciamento não é sinônimo de condenação”, defendendo que a investigação deve seguir sem “juízos de valor precipitados”. Ele também evitou qualquer comentário sobre o conteúdo do relatório.

Por sua vez, Ronaldo Caiado reagiu de forma mais desdenhosa. Quando questionado pela imprensa, respondeu: “E daí? A vida continua.” Alegou ainda que se ocupasse de “pequenas coisas”, não teria tempo para governar.

A relação de Bolsonaro com Caiado e Ratinho Jr. apresentou tensões durante as eleições municipais. Em Goiânia, o ex-presidente apoiou Fred Rodrigues (PL), adversário do candidato de Caiado, Sandro Mabel (União Brasil). Já em Curitiba, mesmo com o PL de Bolsonaro na chapa de Eduardo Pimentel (PSD), aliado de Ratinho Jr., o ex-presidente gravou vídeo em apoio à candidata Cristina Graeml (PMB).

Apesar disso, tanto Caiado quanto Ratinho Jr. buscam o apoio do eleitorado bolsonarista para uma possível candidatura em 2026, evidenciando a complexidade das alianças políticas na direita brasileira.

O relatório da Polícia Federal apresentou evidências de que Bolsonaro planejou e liderou um esquema para desestabilizar o sistema democrático brasileiro. O plano incluía ações extremas como assassinatos de figuras-chave do governo e tentativas de ruptura institucional. Bolsonaro, por sua vez, nega as acusações e afirma ser alvo de perseguição política.

O ex-presidente já foi declarado inelegível até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), devido a ataques ao sistema eleitoral e ao uso político das celebrações do Bicentenário da Independência. Apesar disso, ele continua influente dentro do campo político da direita.

A postura dos governadores em relação ao relatório da PF revela não apenas sua proximidade com Bolsonaro, mas também estratégias para consolidar suas posições políticas. Tarcísio, Zema e Ratinho Jr. têm adotado discursos cautelosos para não desagradar o eleitorado bolsonarista, embora tentem, em alguns momentos, distanciar-se da ala mais radical.

Enquanto o conteúdo do relatório da PF aguarda desdobramentos, as reações dos governadores reforçam a complexidade do cenário político de 2026, com possíveis disputas entre aliados do ex-presidente para liderar a direita no próximo pleito presidencial.

Foto: Dirceu Aurélio

 

 


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