A reativação da Comissão Especial de Mortos e Desaparecidos Políticos, realizada na sexta-feira, 30, pelo Ministério de Direitos Humanos e Cidadania, colocou a Vala Clandestina de Perus entre suas principais prioridades. Descoberta em 1990 na Zona Norte de São Paulo, a vala contém 1.049 ossadas ainda não identificadas, e sua investigação é considerada urgente pela nova composição da comissão.
A deputada federal Natália Bonavides (PT-RN), única parlamentar a integrar o colegiado, destacou a necessidade de finalizar os trabalhos interrompidos durante o governo Bolsonaro, quando a comissão foi esvaziada e posteriormente extinta. Durante esse período, as investigações sobre a Vala de Perus ficaram paralisadas, aumentando a urgência da retomada dos esforços.
Os remanescentes ósseos encontrados na vala estão sob a custódia de peritos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que continuam trabalhando na identificação das vítimas. Bonavides enfatizou a importância do tema da memória e da verdade, especialmente considerando que muitas das pessoas que vivenciaram o período da ditadura militar já faleceram, tornando ainda mais crucial a conclusão dessas investigações.
“É fundamental que avancemos com celeridade na identificação dessas ossadas e na responsabilização dos culpados, garantindo que a memória das vítimas seja preservada e que a justiça seja feita”, afirmou a deputada.
A reinstalação da comissão e a inclusão da Vala de Perus entre suas prioridades refletem um esforço renovado do governo atual para enfrentar o legado de violência da ditadura militar no Brasil. A comissão busca não apenas identificar as vítimas, mas também promover a reparação histórica e a conscientização sobre os horrores desse período.
Com essa nova fase, espera-se que as investigações avancem e que, finalmente, as famílias das vítimas possam obter respostas e a devida justiça após décadas de espera.

