Os Estados Unidos e o Iraque chegaram a um entendimento sobre a retirada das forças da coalizão liderada pelos norte-americanos do território iraquiano, de acordo com diversas fontes familiarizadas com as negociações. O plano, amplamente aceito por ambas as partes, prevê a retirada gradual de tropas até o final de 2026. A aprovação final do acordo e a data do anúncio ainda dependem de ajustes, segundo fontes envolvidas no processo.

O plano estabelece a saída de centenas de tropas até setembro de 2025, com a retirada completa prevista até o fim de 2026. Uma alta autoridade dos EUA afirmou: “Temos um acordo, agora é só uma questão de quando anunciá-lo”. As negociações também envolvem uma possível nova relação de consultoria, que permitiria a permanência de algumas tropas norte-americanas após a retirada completa.

Inicialmente, o anúncio do acordo estava previsto para algumas semanas atrás, mas foi adiado devido à escalada das tensões na região, principalmente em torno do conflito entre Israel e Gaza. As discussões envolvem autoridades dos EUA, Iraque e outros países da coalizão, que pediram anonimato por não estarem autorizadas a falar publicamente sobre o assunto.

Farhad Alaaldin, assessor do primeiro-ministro iraquiano Mohammed Shia al-Sudani, confirmou que as negociações técnicas com Washington foram concluídas e destacou que o novo patamar do relacionamento entre Iraque e coalizão se concentrará em áreas como segurança, economia e cultura.

As negociações aconteceram após seis meses de ataques de grupos armados apoiados pelo Irã contra bases dos EUA no Iraque. Esses ataques resultaram em mortes e ferimentos de soldados americanos, levando a retaliações por parte dos EUA, o que complicou os esforços do governo iraquiano para estabilizar o país.

Atualmente, os EUA mantêm cerca de 2.500 soldados no Iraque e 900 na Síria, como parte da coalizão formada em 2014 para combater o Estado Islâmico. O grupo foi derrotado territorialmente em 2017 no Iraque e em 2019 na Síria, mas operações contra remanescentes continuam.

O plano prevê a retirada de todas as forças da coalizão da base aérea de Ain al-Asad e uma redução significativa em Bagdá até 2025. Algumas tropas permanecerão na região do Curdistão, no norte, até o final de 2026 para apoiar operações contra o Estado Islâmico na Síria.

Essa mudança reflete uma nova postura militar dos EUA na região, mas autoridades americanas reconhecem que sua presença também serve para conter a influência iraniana, que tem crescido à medida que o confronto regional entre Israel e Irã se intensifica.

Para o Iraque, o primeiro-ministro al-Sudani afirmou que, embora valorize a ajuda americana, a presença das tropas tem gerado instabilidade, tornando-se um alvo frequente de ataques. O acordo, quando anunciado, pode ser visto como uma vitória política para al-Sudani, que busca equilibrar as relações entre Washington e Teerã.

O Departamento de Estado dos EUA e a embaixada americana em Bagdá não comentaram o acordo até o momento.


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