O chefe do Exército de Israel orientou as tropas, nesta quarta-feira, a se prepararem para uma possível incursão no Líbano, à medida que aviões de combate israelenses bombardeavam alvos do grupo Hezbollah ao longo da fronteira. O país anunciou também a mobilização de duas brigadas da reserva para serem enviadas ao norte, onde as forças israelenses enfrentam confrontos transfronteiriços com a organização político-militar libanesa.

De acordo com o tenente-general Herzi Halevi, o exército tem realizado bombardeios contínuos para preparar o terreno para uma possível operação terrestre. Em discurso a uma brigada de tanques, ele afirmou: “Vocês podem ouvir os aviões. Estamos atacando o dia todo, tanto para preparar o terreno para a possibilidade de sua entrada, quanto para continuar atingindo o Hezbollah”. Halevi indicou que as forças israelenses continuarão os ataques e que a entrada no território libanês poderá ocorrer em breve.

O comandante reforçou que uma incursão “com força” no Líbano demonstrará ao Hezbollah “o que é enfrentar uma força de combate profissional”. Ele destacou que o objetivo principal das operações é garantir que os residentes do norte de Israel possam voltar para suas casas em segurança, após serem forçados a deixar a região devido aos conflitos.

Um alto oficial militar israelense afirmou que as Forças Armadas estão, no momento, focadas principalmente em operações aéreas. A estratégia militar atual busca atingir três objetivos principais: primeiro, reduzir a capacidade do Hezbollah de lançar foguetes contra as áreas fronteiriças israelenses, algo que tem ocorrido desde o dia 8 de outubro. Em segundo lugar, afastar os combatentes do grupo da fronteira entre Israel e Líbano. O terceiro objetivo é destruir a infraestrutura da força de elite do Hezbollah, conhecida como Radwan, que, de acordo com Israel, planejava realizar ataques contra civis israelenses no norte.

A escalada de tensões entre Israel e o Hezbollah se intensificou após uma série de ataques aéreos israelenses no Líbano, resultando em várias baixas. Entre os dias 23 e 24 de outubro, dezenas de membros do Hezbollah morreram em bombardeios, incluindo Ibrahim Aqil, um alto comandante do grupo. O Hezbollah respondeu com a promessa de uma “punição justa” e desafiou Israel a invadir o Líbano.

Na última quarta-feira, o Ministério da Saúde do Líbano informou que 51 pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas em bombardeios israelenses contra alvos do Hezbollah no sul e no Vale do Bekaa. Os ataques ocorreram logo após o grupo libanês lançar, pela primeira vez, um míssil contra a cidade de Tel Aviv, um dos ataques mais profundos realizados contra Israel desde o início do conflito.

A escalada do conflito levou a comunidade internacional a expressar grande preocupação. A França solicitou uma reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU, enquanto o papa Francisco condenou a intensificação dos ataques, chamando-a de “inaceitável”. O chefe da diplomacia americana, Antony Blinken, apelou por uma solução diplomática, afirmando que a guerra não é a resposta para os problemas na região.

Com a intensificação dos combates, cresce o temor de uma guerra de larga escala entre Israel e o Hezbollah, que poderia transformar o Líbano em um novo cenário de caos semelhante à Faixa de Gaza.


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