A Petrobras formou um grupo que, até o final do primeiro semestre de 2025, vai decidir se descomissiona ou adapta antigas plataformas de petróleo da Bacia de Campos. A informação foi revelada pelo gerente executivo de Projetos Estratégicos da estatal, Wagner Victer, ao Estadão/Broadcast. Esse cargo foi criado para assessorar a presidente da empresa, Magda Chambriard, nas mudanças necessárias para enfrentar os desafios do mercado, como a escassez de estaleiros internacionais, atrasos em encomendas e a busca por uma abordagem mais sustentável na indústria.
No final de setembro, durante a feira ROG 2024, no Rio de Janeiro, Magda anunciou que a Petrobras está conduzindo estudos para a conversão de antigas plataformas, como as P-35, P-37 e P-47. O objetivo é reduzir os altos custos do descomissionamento, que envolve cerca de 50 unidades e bilhões de dólares, e ao mesmo tempo alinhar-se aos princípios de sustentabilidade perseguidos pela companhia.
Victer destacou que o custo de construção de novas plataformas disparou, tornando a adaptação de antigas estruturas uma solução atraente. “Plataformas que custavam US$ 1,5 bilhão agora chegam a US$ 4 bilhões”, explicou. Ele também observou que a percepção de que construir no Brasil causava atrasos já foi superada.
A Petrobras pretende contratar estaleiros nacionais para converter essas plataformas, contribuindo para a revitalização da indústria naval brasileira. Esse movimento está em sintonia com o desejo do governo de reativar o setor e se opõe à política de venda de campos de produção em declínio, adotada no governo anterior.
Victer também mencionou os benefícios da conversão em termos de economia circular e ESG (governança ambiental, social e corporativa). Ele ressaltou que essa prática já é comum na indústria e que muitas das plataformas da Petrobras resultam de conversões anteriores. Além de reduzir custos e prazos, a iniciativa evita o uso de novas siderúrgicas e a emissão de poluentes.
A adaptação de plataformas não é novidade para Victer, que, nos anos 1990, participou da conversão de unidades semi-submersíveis para FPSOs (plataformas flutuantes de produção, armazenamento e transferência). Em 1995, ele apresentou o sucesso da conversão do navio-tanque PP Moraes na FPSO Juscelino Kubitschek, instalada no campo de Jubarte, também na Bacia de Campos.
Desde o anúncio na ROG 2024, várias empresas e sociedades classificadoras já procuraram a Petrobras para conhecer melhor o projeto. Victer destacou o interesse do mercado e brincou: “Só os sucateiros não estão muito felizes.”
Com informações do Estadão

