Em 9 de abril, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) visitou Diamantino, cidade do interior de Mato Grosso, onde participou de um ato político e foi recebido em um churrasco na fazenda de Reinaldo Moraes, conhecido como “Rei do Porco”. Durante o evento, Bolsonaro falou ao telefone com o ministro do STF, Gilmar Mendes, irmão de Francisco Ferreira Mendes Júnior, o Chico Mendes (União Brasil), candidato a prefeito da cidade.
Apesar de sua relação conturbada com ministros do STF, Bolsonaro endossou a candidatura de Chico Mendes, irmão de Gilmar, deixando de lado o bolsonarismo mais radical. Esse apoio, somado à influência política da família Mendes, colocou Chico como favorito na disputa contra Carlos Kan (Novo), em uma cidade onde não há candidatos de esquerda.
Com 22 mil habitantes e marcada pela presença do agronegócio, Diamantino é reduto de Bolsonaro, que obteve 62% dos votos válidos na cidade em 2022. A visita do ex-presidente, articulada pelo senador Wellington Fagundes (PL) e pela deputada Amália Barros (PL), foi uma surpresa para os apoiadores de Kan, que baseavam sua campanha em discursos anticorrupção.
O apoio de Bolsonaro a Chico Mendes, que não conhecia o ex-presidente antes de abril, gerou questionamentos entre os eleitores bolsonaristas. Mesmo assim, Chico, empresário do agronegócio com patrimônio de R$ 56,4 milhões, nega aderir ao extremismo bolsonarista e afirma que mantém uma relação distante das posições políticas de seu irmão Gilmar Mendes, separando suas atividades políticas das do ministro do STF.
Chico também rejeita discussões jurídicas com Bolsonaro, focando nas questões locais de sua candidatura. A aliança entre Chico e Bolsonaro é vista por alguns como um aceno do ex-presidente a Gilmar Mendes, que pode influenciar em decisões futuras do STF que envolvem Bolsonaro, como os inquéritos sobre falsificação de certificados de vacinas e o desvio de presentes recebidos por autoridades estrangeiras.
Com informações da Folha.

