O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fez duras críticas neste sábado ao presidente francês, Emmanuel Macron, e a outros líderes que pediram a suspensão do envio de armas a Israel, em meio ao conflito com o Hamas, em Gaza, e o Hezbollah, no Líbano. Além disso, Netanyahu voltou a ameaçar o Irã, afirmando que Israel tem o direito de responder ao ataque com mísseis lançado por Teerã na última terça-feira.

“Enquanto Israel luta contra forças bárbaras lideradas pelo Irã, os países civilizados deveriam apoiar firmemente Israel. Macron e outros líderes ocidentais, ao invés disso, estão pedindo embargos de armas contra nós. Isso é vergonhoso”, declarou Netanyahu em comunicado. Ele criticou o fato de que o Irã continua a fornecer armas ao Hezbollah, Houthis e Hamas, enquanto Israel é pressionado a interromper seu acesso a armamentos.

Com o conflito se intensificando, Macron defendeu, em entrevista a uma rádio francesa, a necessidade de uma “solução política” e pediu que os países aliados parem de enviar armas a Israel. O presidente francês também anunciou que a França realizará uma conferência de apoio ao Líbano em outubro, expressando preocupação com a incursão terrestre de Israel no território libanês.

Netanyahu reafirmou o direito de Israel de se defender e destacou que o país responderá aos ataques iranianos, mencionando os 200 mísseis disparados por Teerã contra Israel esta semana. “Nenhum país aceitaria um ataque como este contra seus cidadãos. Israel tem o dever de se proteger e de responder a esses ataques, e é o que faremos”, enfatizou o primeiro-ministro em um pronunciamento televisionado.

Mais cedo, o chefe do Estado-Maior do Exército israelense, general Herzi Halevi, afirmou que as Forças Armadas continuarão a atacar o Hezbollah no Líbano “sem trégua”, infligindo danos à organização.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, por sua vez, prometeu uma resposta ainda mais forte caso Israel realize uma retaliação. “Para cada ação, haverá uma reação proporcional”, disse Araghchi.

Desde o início da guerra com o Hamas, em 7 de outubro, Israel direcionou seu foco para a proteção da fronteira norte e o retorno de mais de 60 mil pessoas deslocadas pelos ataques do Hezbollah. O grupo, que alega agir em solidariedade aos palestinos de Gaza, tem bombardeado Israel quase diariamente, declarando que só interromperá os ataques se um cessar-fogo for estabelecido.

A ofensiva israelense no Líbano resultou em milhares de mortes, incluindo a de Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah, o que provocou uma retaliação do Irã, que lançou mais de 200 mísseis contra Israel na última terça-feira, com o apoio do líder supremo iraniano.