O senador Plínio Valério (PSDB-AM), atualmente o único representante do PSDB no Senado, afirmou nesta quinta-feira, 10 de outubro de 2024, que o partido precisa considerar uma fusão com outra sigla e até mudar de nome para tentar recuperar sua força no cenário político nacional. Ele destacou que o declínio do PSDB, que já foi uma das principais forças políticas do Brasil, exige uma reflexão profunda sobre o futuro da legenda, incluindo essas mudanças e a reavaliação da federação com o partido Cidadania, firmada em 2022.

“É hora de fazermos uma avaliação mais profunda. Lá dentro, já se fala em fusão. É um assunto a ser estudado. Precisamos reavaliar a federação e pensar, quem sabe lá na frente, numa fusão e até em mudar o nome do partido”, declarou Plínio. Embora o senador tenha mencionado que ainda é cedo para apontar com qual partido o PSDB poderia se unir, nomes como o do governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, já cogitaram o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, como uma possibilidade.

O declínio do PSDB é evidente. Em 2019, o partido contava com seis senadores. Hoje, Plínio Valério é o único remanescente na Casa Alta. No início de 2022, a legenda se federou ao Cidadania, em uma tentativa de fortalecer sua presença no Congresso. No entanto, a federação, que tem duração mínima de quatro anos, não trouxe os resultados esperados. Plínio expressou insatisfação com a aliança, afirmando que “fazer federação com quem te puxa para baixo não é legal” e sugeriu que o partido reavalie essa estratégia.

A fusão, ao contrário da federação, implica na unificação dos partidos em uma nova legenda, com um diretório comum e um novo nome, como ocorreu com a criação do União Brasil, resultado da fusão entre DEM e PSL. Para Plínio, essa pode ser uma saída para reestruturar o PSDB, que enfrenta grandes desafios após perder controle de suas principais bases eleitorais.

Um dos golpes mais duros para o PSDB ocorreu nas eleições municipais de 2024, com a derrota em São Paulo. O candidato tucano, Datena, obteve menos de 2% dos votos válidos, ficando fora do segundo turno, o que representou a perda de uma das cidades mais importantes para o partido. “Perdendo São Paulo, perdeu o rumo. E temos que encontrar um rumo. Não éramos só São Paulo, mas era o nosso forte, e agora não temos mais”, afirmou o senador.

O PSDB também viu uma queda significativa no número de prefeituras conquistadas. Em 2020, o partido elegeu prefeitos em 523 municípios. Já em 2024, esse número caiu para 273, uma redução de 47,8%. Comparando com o ano de 2016, quando o PSDB venceu em 799 cidades, o declínio é ainda mais acentuado, com uma perda de 65,7% das prefeituras em oito anos.

Plínio Valério reconheceu que o PSDB, se comparado com seu auge, agora parece “nanico”, mas ressaltou que em relação ao cenário recente, o desempenho do partido não foi tão catastrófico quanto poderia ter sido. No entanto, ele deixou claro que, para o PSDB voltar a ser relevante no cenário político, será necessário repensar suas alianças, considerar uma fusão e talvez até mudar de nome.