Nesta segunda-feira, a polícia italiana prendeu quatro integrantes da máfia Cosa Nostra, envolvidos em atividades ilegais que se estendiam até o Brasil. A operação contou com a colaboração do Ministério Público Federal (MPF) brasileiro e das autoridades judiciais italianas.
As prisões foram realizadas com base em ordens emitidas pela Justiça italiana, que acusou os suspeitos de crimes como transferência fraudulenta de valores, extorsão e lavagem de dinheiro, beneficiando grandes famílias mafiosas. Além das prisões, a operação resultou no bloqueio de cerca de 350 mil euros (aproximadamente R$ 2,1 milhões) em bens relacionados a nove empresas que atuam nos setores imobiliário e de restauração na Itália, Suíça e Hong Kong.
Entre os detidos estão Giuseppe Calvaruso (47 anos), Giuseppe Bruno (51 anos), Giovanni Caruso (53 anos) e Rosa Anna Simoncini (73 anos), esta última sendo a mãe de Bruno. A investigação visa desmantelar a operação de membros importantes da máfia de Palermo, que operavam em estruturas empresariais em vários países, incluindo o Brasil. Esta ação é um desdobramento da “Operação Arancia”, deflagrada em agosto de 2023, em Natal (RN), onde Giuseppe Bruno foi identificado como um dos líderes do esquema.
Segundo os investigadores, Calvaruso e Bruno desempenhavam papéis centrais, promovendo a entrada de grandes somas de dinheiro ilícito em negócios no Brasil. Esses fundos, derivados de atividades criminosas como extorsão e lavagem de dinheiro, eram investidos em empreendimentos comerciais no Brasil, e os valores movimentados podem ultrapassar 500 milhões de euros (cerca de R$ 3 bilhões).
A operação desta semana foi conduzida por uma Equipe Conjunta de Investigação (ECI), composta por integrantes do MPF, da Polícia Federal do Brasil, da Procuradoria de Palermo, da Polícia Italiana e da Eurojust, agência da União Europeia para Cooperação Judiciária Penal. Essa colaboração internacional segue as diretrizes da Convenção de Palermo, um tratado global de combate ao crime organizado.
Em setembro, o MPF apresentou denúncias contra três italianos e seis brasileiros, acusando-os de envolvimento em uma rede de organização criminosa internacional e lavagem de dinheiro. A investigação revelou que o grupo utilizava empresas de fachada e “laranjas” para ocultar os lucros provenientes de crimes, como tráfico de drogas e extorsão.
Entre os negócios fraudulentos no Brasil, foram identificados um restaurante de luxo em Natal (RN), imóveis em Cabedelo (PB), uma casa de luxo em Bananeiras (PB) e um loteamento residencial em Extremoz (RN). O MPF também solicitou a prisão preventiva dos líderes mafiosos, pedido que foi aceito pela 14ª Vara da Justiça Federal no Rio Grande do Norte.
Com informações do O Globo

