A poucos dias do segundo turno das eleições para a Prefeitura de Belo Horizonte, a campanha de Bruno Engler (PL) ganha novos contornos com a adesão de importantes figuras da política nacional, como os governadores Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo. Ambos, juntamente com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), consolidam uma frente de apoio ao candidato bolsonarista, ainda que com diferentes graus de envolvimento em suas agendas eleitorais.

Tarcísio, em um vídeo divulgado nesta terça-feira (22), reforçou seu apoio a Engler, destacando a necessidade de renovação em Belo Horizonte e oferecendo a troca de experiências como governador. “Tenho certeza de que ele vai fazer a diferença”, afirmou. Embora o partido de Tarcísio, o Republicanos, não tenha formalizado o apoio a Engler, a presença do governador paulista no palanque é vista como um movimento estratégico para fortalecer a candidatura.

Apesar do engajamento de Tarcísio, algumas figuras importantes do Republicanos, como o apresentador Mauro Tramonte, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno das eleições municipais, decidiram permanecer neutras na disputa de segundo turno. Esse cenário reflete uma divisão dentro do próprio partido e a complexidade das alianças políticas neste momento crucial da campanha.

Por outro lado, Romeu Zema, que declarou oficialmente seu apoio a Bruno Engler na última quinta-feira, durante a inauguração de um tomógrafo em Sete Lagoas, tem mantido um distanciamento físico da campanha. Zema, assim como no primeiro turno, optou por não comparecer a eventos de rua ou comícios em apoio a Engler, focando sua atenção em questões administrativas, como as negociações sobre a repactuação de Mariana, que devem definir as indenizações às vítimas do desastre de 2015. Seu vice-governador, Mateus Simões, justificou a ausência afirmando que ambos estão em Brasília até sexta-feira para tratar desse tema.

A ausência de Zema nas ruas, no entanto, não é vista como um obstáculo para a campanha de Engler. De acordo com Simões, a presença física do governador em eventos eleitorais não seria tão relevante, já que Engler é mais conhecido por sua atuação nas redes sociais, onde a campanha tem focado seus esforços. Mesmo assim, aliados do candidato ainda esperam que Zema possa participar de agendas em Belo Horizonte nos últimos dias antes da votação.

Enquanto isso, Fuad Noman (PSD), atual prefeito e adversário de Engler, concentra sua campanha em realizações administrativas e na imagem de gestor experiente. Aos 77 anos, Fuad tem reforçado sua trajetória de mais de cinco décadas no serviço público, contrastando com a juventude e inexperiência política de Engler, que, aos 27 anos, está em seu segundo mandato como deputado estadual.

Fuad também tem adotado uma postura cuidadosa em relação aos apoios políticos. Embora conte com o suporte do presidente Lula (PT) e de partidos de esquerda no segundo turno, o prefeito evita associar-se diretamente a eventos com a base petista, preferindo se apresentar como uma figura de centro. Essa estratégia visa atrair eleitores moderados, especialmente aqueles que votaram em Mauro Tramonte e Gabriel Azevedo (MDB) no primeiro turno.

A disputa pelo segundo turno em Belo Horizonte, marcada pela polarização entre Engler e Fuad, reflete não apenas o embate local, mas também dinâmicas nacionais. A participação de Jair Bolsonaro, que esteve na capital mineira no último final de semana ao lado de Michele Bolsonaro, Nikolas Ferreira (PL) e Cleitinho Azevedo (Republicanos), reforça o peso das alianças políticas na campanha de Engler. Com a presença de padrinhos políticos de peso, o bolsonarista busca ampliar sua base de apoio e consolidar sua candidatura entre os eleitores de direita.

Ainda assim, as pesquisas mais recentes, como a da Quaest divulgada na semana passada, apontam uma vantagem para Fuad, que tem 46% das intenções de voto contra 37% de Engler. A presença de figuras como Zema, Tarcísio e Bolsonaro no apoio ao candidato do PL pode ser decisiva para tentar reverter esse quadro nos últimos dias de campanha, enquanto Fuad aposta em sua experiência administrativa para garantir a reeleição.

Com o segundo turno se aproximando, o cenário em Belo Horizonte segue acirrado, e a postura dos principais líderes políticos pode ser determinante para o resultado final nas urnas.

 


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