Milhares de libaneses deslocados pelos confrontos entre Israel e Hezbollah começaram a retornar às suas casas nesta quarta-feira (27), após o cessar-fogo que encerrou dois meses de guerra aberta. O acordo, em vigor desde as 4h (23h de terça no horário de Brasília), resultou em uma trégua para um conflito que deixou mais de 3.800 mortos no Líbano, 82 soldados israelenses mortos e deslocou cerca de 900 mil pessoas no território libanês.

O primeiro-ministro libanês, Najib Mikati, declarou que o Exército reforçará sua mobilização no sul do país para implementar o acordo. Mesmo com pedidos para aguardarem a saída das tropas israelenses, muitos habitantes da periferia ao sul de Beirute, do Vale do Bekaa e do sul do Líbano, redutos do Hezbollah, retornaram sem esperar autorização. Correspondentes relataram cenas de celebração, com militantes do Hezbollah exibindo bandeiras e saudando Hassan Nasrallah, líder do grupo, morto em setembro em um ataque israelense.

O plano foi mediado por Estados Unidos e França e prevê a retirada progressiva, ao longo de 60 dias, de combatentes do Hezbollah e tropas israelenses da região fronteiriça. Durante esse período, o Exército libanês assumirá o controle da área. Amos Hochstein, enviado americano, afirmou que o acordo busca um cessar-fogo permanente. Já o presidente dos EUA, Joe Biden, comemorou o pacto como um “novo começo” para o Líbano, enquanto o primeiro-ministro libanês espera que ele traga estabilidade e permita a eleição de um novo presidente, cargo vago há mais de dois anos.

Por outro lado, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, alertou que a duração da trégua dependerá do cumprimento do acordo. Ele prometeu manter “liberdade total de ação militar” e garantiu que responderá com força caso o Hezbollah tente se rearmar.

Os confrontos começaram após o ataque do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a guerra em Gaza. O Hezbollah abriu uma nova frente no norte de Israel, em solidariedade ao Hamas. Desde então, o sul do Líbano sofreu intensos bombardeios, que deixaram milhares de mortos, enquanto o norte de Israel enfrentou deslocamentos de civis.

O Irã, principal aliado militar e financeiro do Hezbollah, celebrou o cessar-fogo como “o fim da agressão” e indicou apoio a acordos semelhantes em Gaza. O Hamas, por sua vez, classificou o pacto como uma “conquista importante” e demonstrou disposição para negociações de troca de prisioneiros.

Embora a trégua tenha aliviado tensões no Líbano, a situação em Gaza permanece crítica. Netanyahu afirmou que o cessar-fogo permitirá maior foco na guerra contra o Hamas e nas tensões com o Irã. Desde o ataque inicial do Hamas, 1.207 pessoas morreram em Israel, enquanto a retaliação israelense resultou em mais de 44 mil mortes em Gaza, a maioria civis, segundo dados locais e da ONU.

Enquanto potências globais esperam que o acordo no Líbano inspire negociações semelhantes em Gaza, desafios significativos permanecem, incluindo a libertação de reféns e a reconstrução das áreas devastadas. O futuro da trégua dependerá do cumprimento rigoroso pelos dois lados e do suporte internacional para alcançar estabilidade na região.

Foto: Ammar Ammar

 


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