O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) afastou o juiz Sandro Nunes Vieira, da 1ª Vara Federal de Paranaguá, Paraná, sob suspeita de participação na campanha do Partido Liberal (PL) para desacreditar as urnas eletrônicas. A decisão foi tomada pelo ministro Mauro Campbell, corregedor nacional de Justiça, após notificação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a conduta do magistrado.
Sandro Vieira foi citado no relatório final do inquérito do golpe, elaborado pela Polícia Federal, que resultou no indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e 36 aliados. De acordo com o documento, o juiz teria “assessorado ilegalmente e de forma clandestina” o PL na apresentação de uma representação eleitoral contra as urnas eletrônicas.
As mensagens transcritas no relatório da Polícia Federal mostram conversas entre Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência, e Marcelo Costa Câmara, ex-assessor de Bolsonaro, mencionando Sandro Vieira. As mensagens indicam que o juiz pediu para não ser diretamente vinculado à campanha do PL contra as urnas. Um arquivo em PDF intitulado “nota juiz sandro vieira nunes” foi encontrado pelos investigadores.
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) também abriu processo administrativo para apurar a conduta do magistrado e informou que cumprirá as determinações do CNJ.
O PL foi multado em 22,9 milhões de reais pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por má-fé ao questionar as urnas e pedir a anulação de votos após o segundo turno. Sandro Vieira atuou junto ao TSE entre 2019 e agosto de 2022.
Fotos: G. Dettmar/ag. CNJ

