PSD, União Brasil e MDB, fortalecidos após vitórias nas eleições municipais, já enfrentam divisões internas sobre seus rumos políticos para 2026. Enquanto figuras como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendem distanciamento do PT, o governo Lula busca consolidar alianças e neutralizar movimentos oposicionistas dentro desses partidos.

A estratégia do Palácio do Planalto inclui ampliar o espaço de líderes dessas legendas no Executivo, que atualmente ocupam três ministérios cada. Um dos focos do governo é o deputado Elmar Nascimento (BA), líder do União Brasil na Câmara, que apoiou candidatos petistas na Bahia, apesar de sua histórica oposição ao PT. O governo considera redistribuir cargos para fortalecer sua posição junto ao parlamentar. Elmar, que antes pleiteava a presidência da Câmara, agora busca um ministério, embora negue negociações nesse sentido.

Por outro lado, o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, incentiva a candidatura do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, ao Palácio do Planalto, prevista para ser lançada em 2024. Apesar disso, o governo mantém conversas com ministros do União, como Celso Sabino (Turismo) e Juscelino Filho (Comunicações), para assegurar pelo menos a neutralidade da legenda em 2026.

No MDB, a oposição é liderada por Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo, e Sebastião Melo, de Porto Alegre. Ambos derrotaram candidatos apoiados por Lula nas eleições e sinalizam alinhamento com Tarcísio de Freitas e Jair Bolsonaro. Nunes, incomodado com ataques sofridos durante a campanha, defende que o MDB adote postura de oposição. No entanto, aliados do governo acreditam que ele buscará recursos federais para a capital paulista, o que pode suavizar tensões.

Para fortalecer os laços com o MDB, o governo considera oferecer a vice-presidência a nomes como Helder Barbalho, Renan Filho ou Simone Tebet em uma eventual reeleição de Lula. O senador Renan Calheiros declarou que a posição do partido será definida democraticamente em convenção.

No PSD, Gilberto Kassab mantém sinais ambíguos. Enquanto equilibra sua relação com Tarcísio de Freitas, de quem é secretário, e acenos ao governo, Kassab avalia liberar o partido para apoiar qualquer candidato em 2026. Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, é cotado para um ministério, mas nega negociações e considera deixar a política em 2027.

Em paralelo, o governo articula alianças estaduais para isolar bolsonaristas em disputas locais, mirando figuras como Ciro Nogueira e Eduardo Girão. Essa movimentação busca consolidar apoio para 2026, fortalecendo a base governista nos estados e reduzindo o espaço de oposição.

Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

 


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