A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou neste sábado, 7 de dezembro, uma resolução política com duras críticas à atuação do mercado financeiro, representado pela Faria Lima, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. O documento, que acusa especuladores de minar conquistas sociais e econômicas por meio de manobras especulativas, também destaca fragilidades na comunicação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, sugerindo maior engajamento na disputa política e no diálogo com a sociedade.
Com 10 páginas, a resolução faz um diagnóstico abrangente dos resultados do governo desde o início do mandato de Lula, mas admite que as ações realizadas não têm gerado aumento significativo de popularidade. Segundo o texto, os porta-vozes do governo falharam em disputar o debate público e enfrentar narrativas das forças conservadoras. Sem citar diretamente o ministro da Secretaria de Comunicação, Paulo Pimenta, os dirigentes do PT sugerem que o presidente Lula utilize a cadeia nacional de rádio e televisão para comunicar as políticas públicas e combater a desinformação.
“Embora as conquistas do governo sejam extraordinárias, elas nem sempre são percebidas pela sociedade devido à timidez em enfrentar o debate público contra as forças reacionárias”, aponta o texto. Entre os avanços mencionados estão a redução do desemprego e o menor índice de pobreza já registrado no país. Ainda assim, o partido reconhece que esses indicadores não se traduziram em aumento de aprovação popular. “Precisamos comunicar com mais vigor para reconquistar corações e mentes, principalmente da juventude das periferias urbanas”, destaca a resolução.
O documento também acusa Campos Neto de agir como “um serviçal do sistema financeiro”, utilizando a política monetária para frear a atividade econômica. Segundo os dirigentes do partido, o presidente do Banco Central tem inventado justificativas para manter os juros altos, prejudicando o crescimento econômico e beneficiando os banqueiros. Atualmente, a taxa Selic está em 11,25%, sendo a mais alta entre as principais economias do mundo. Apesar de críticas ao Comitê de Política Monetária (Copom), o texto elogia Gabriel Galípolo, indicado por Lula para assumir a presidência do Banco Central em janeiro de 2025.
Além disso, o PT atacou especuladores financeiros, acusando a Faria Lima de causar “a maior alta do dólar na história” após o anúncio do pacote de corte de gastos do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O partido afirmou que a reação do mercado foi uma “manobra política” para enfraquecer o governo e impedir o avanço de políticas de justiça social. Apesar disso, a resolução elogiou Haddad por sua postura firme diante do cenário econômico adverso.
Outro ponto central do documento foi o enfrentamento à extrema-direita, descrito como uma “prioridade inegociável”. O PT conclamou seus apoiadores a se mobilizarem no dia 10 de dezembro contra o projeto de anistia aos golpistas envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro. “É fundamental impedir que os responsáveis por crimes contra a democracia sejam perdoados”, afirmou a resolução.
O partido também manifestou preocupação com o cenário internacional. A possível reeleição de Donald Trump nos Estados Unidos foi apontada como uma ameaça global às forças progressistas, enquanto as vitórias de Claudia Sheinbaum no México e Yamandú Orsi no Uruguai foram celebradas como sinais positivos para o campo progressista latino-americano. A resolução destacou ainda a importância da parceria estratégica entre Brasil e China como um motor para o fortalecimento da integração regional.
No âmbito interno, o PT anunciou o calendário do Processo de Eleição Direta (PED), que renovará as direções municipais, estaduais e nacionais em julho de 2025. Gleisi Hoffmann, atual presidente do partido, poderá ser substituída pelo prefeito de Araraquara, Edinho Silva, um nome cotado e apoiado pelo presidente Lula.
A resolução trouxe também um gesto de solidariedade ao Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST), que tem pressionado o governo com mobilizações e demandas por avanços na reforma agrária. “É imprescindível atender à meta de assentar 60 mil famílias até 2025”, enfatizou o texto, reafirmando o compromisso do partido com os trabalhadores rurais.
O PT destacou que, diante de um contexto em que as elites econômicas mantêm uma postura especulativa, os cortes em gastos sociais representam uma ameaça constante ao bem-estar da população. Por isso, reforçou a necessidade de resistir a pressões por ajustes que prejudiquem os mais vulneráveis.
A resolução política reafirma a estratégia do partido de se posicionar de forma mais contundente contra seus opositores, tanto no campo político quanto no econômico, e sugere que Lula assuma um papel mais ativo na comunicação. Com o foco na mobilização popular e no diálogo com setores estratégicos, o PT busca fortalecer sua base e pavimentar o caminho para as eleições de 2026, garantindo a continuidade de suas políticas progressistas.
Foto: Divulgação PT


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