Nesta sexta-feira (20), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promoveu um almoço com seus ministros no Palácio da Alvorada, em Brasília, que marcou o encerramento das atividades do ano para o primeiro escalão do governo. O evento foi mais breve e descontraído que as tradicionais reuniões ministeriais de fim de ano, refletindo a necessidade de Lula de reduzir sua agenda por conta de sua recente recuperação médica.
O presidente admitiu aos presentes que pretende promover mudanças no governo após a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, em 2025. Sem mencionar nomes ou cargos, Lula indicou que essas mudanças poderão estar alinhadas às articulações políticas visando a eleição presidencial de 2026. O objetivo seria ajustar a composição ministerial, considerando que alguns aliados atuais podem não apoiar o grupo político do presidente devido às suas bases eleitorais.
Durante o encontro, Lula também falou sobre sua saúde e reforçou o compromisso de seguir as orientações médicas. “Por amor a mim mesmo, à Janja e ao Brasil, vou obedecer aos médicos”, declarou. Ele destacou que evitará compromissos extenuantes, como viagens, pelos próximos 45 dias, mas continuará realizando reuniões de menor duração.
Lula usou o momento para relembrar momentos marcantes de sua vida, como sua infância pobre e os desafios enfrentados em sua trajetória política e pessoal. Ele mencionou o câncer de garganta que tratou após seu primeiro mandato e um recente incidente envolvendo o avião presidencial no México. Com um chapéu cobrindo a área da cabeça onde passou por cirurgias, Lula agradeceu a Deus, à primeira-dama Janja e aos ministros pelo trabalho realizado ao longo do ano.
O presidente também comemorou a aprovação do pacote fiscal no Congresso, ressaltando o esforço de sua equipe enquanto ele estava hospitalizado. Lula destacou que o governo está atento à necessidade de novos ajustes fiscais, se necessário. O líder petista aproveitou para reforçar sua insatisfação com a comunicação do governo, solicitando maior empenho dos ministros na divulgação de ações governamentais.
O futuro presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, foi um dos destaques do evento. Ele conversou com vários participantes e se mostrou alinhado com os objetivos do governo. Lula, em um vídeo divulgado após o almoço, reforçou a autonomia de Galípolo na gestão da autoridade monetária e destacou que não haverá interferências em seu trabalho.
Todos os 38 ministros do governo participaram do evento, além de líderes como Randolfe Rodrigues (PT-AP), Jaques Wagner (PT-BA) e José Guimarães (PT-CE). O chefe da assessoria especial da Presidência, Celso Amorim, também esteve presente, assim como o vice-presidente Geraldo Alckmin.
O cardápio incluiu pratos como peru assado, bacalhau, carne bovina, farofa com banana e uva passa, arroz e saladas, acompanhados por refrigerantes e vinho. Os ministros, que chegaram ao Palácio em seus carros oficiais e passaram por testes de covid-19, almoçaram em mesas de oito pessoas.
Embora o evento tenha sido mais descontraído, o presidente não deixou de abordar pontos estratégicos para o futuro do governo. Lula pediu que os ministros continuem mobilizados e destacando os resultados obtidos em 2024. Ele mencionou que 2025 começará com foco em ajustes estruturais, com destaque para a reavaliação de sua equipe ministerial.
O evento também simbolizou o fortalecimento das alianças internas do governo, fundamentais para garantir apoio no Congresso. O presidente mencionou a importância de articulações políticas para manter a governabilidade, especialmente em um cenário de ajustes fiscais e expectativas para as eleições de 2026.
Ao encerrar o almoço, Lula desejou um Feliz Natal e Ano Novo a todos os presentes, destacando a retomada dos trabalhos em janeiro. Apesar da recuperação de sua saúde, o presidente demonstrou estar determinado a seguir liderando o governo com foco em ajustes, governabilidade e estratégias eleitorais para o futuro.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

