Na cerimônia que marcou dois anos dos ataques de 8 de janeiro de 2023, o comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen, afirmou que “tudo que celebra a democracia é sempre muito bem-vindo”. Presente ao evento ao lado dos demais chefes das Forças Armadas, Olsen reforçou que não há conflitos na relação dos militares com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem descreveu como “comandante supremo” e “timoneiro”.

A declaração veio em resposta às críticas sobre um vídeo divulgado recentemente pela Marinha, considerado um recado ao pacote fiscal do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. O vídeo destacava as peculiaridades da carreira militar, com imagens de treinamentos e momentos de lazer, encerrando com uma militar questionando: “Privilégios? Vem pra Marinha”. Após repercussão negativa, o vídeo foi retirado do ar.

Olsen defendeu o material, atribuindo o mal-estar a interpretações equivocadas. “O imbróglio foi a repercussão do vídeo, que procurava exortar as peculiaridades da carreira militar. Colocar os militares em contraposição à sociedade não cabe. Nós somos recrutados da sociedade, vivemos na sociedade e estamos sujeitos às mesmas mazelas, como pegar várias conduções para o trabalho”, explicou.

O comandante também destacou que a aposentadoria nas Forças Armadas é um dos poucos atrativos para recrutar novos membros. Ele questionou as críticas sobre a idade mínima de 55 anos para a reserva, estabelecida no pacote fiscal. “Por que a idade de 55 anos não é um problema para magistrados? Quando se fala em privilégios, deixam de citar que não temos hora extra ou gratificações. Essas peculiaridades são necessárias para manter a atratividade da carreira. Sem elas, quem eu vou recrutar?”

Internamente, a aposentadoria é considerada um dos poucos benefícios que atraem jovens para a carreira militar. Hoje, militares conseguem ir para a reserva com idade média de 52 a 53 anos, enquanto a proposta do Ministério da Fazenda eleva a exigência para 55 anos.

Olsen concluiu reiterando a lealdade ao presidente e a necessidade de preservar as condições que asseguram a qualidade dos quadros militares, defendendo a valorização da carreira.

Foto: Pedro França/Agência Senado

 

 

 


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