O general da reserva Estevam Theophilo, um dos 40 indiciados pela suposta tentativa de golpe de Estado em dezembro de 2022, apresentou nesta segunda-feira (20) uma manifestação ao Supremo Tribunal Federal (STF) negando as acusações. Segundo ele, durante todo o período investigado, contou com a “irrestrita confiança” do então comandante do Exército, Marco Antônio Freire Gomes, e recebeu um “elogio honroso” do atual comandante, Tomás Paiva.

Theophilo, que chefiava o Comando de Operações Terrestres (Coter), é acusado pela Polícia Federal (PF) de ter “anuiu com o golpe de Estado, colocando as tropas à disposição” do então presidente Jair Bolsonaro, em uma reunião realizada no Palácio da Alvorada. Em sua defesa, o general afirmou que “jamais poderia ter anuído com suposto ato golpista”, alegando que Bolsonaro apenas expressou “lamúrias” e não apresentou nenhum plano golpista.

O general também argumentou que, se tivesse concordado com qualquer ação golpista, teria perdido a confiança do então comandante do Exército, Freire Gomes, que o manteve no cargo até o fim do governo Bolsonaro e participou da cerimônia de passagem de comando. Segundo ele, isso demonstraria “a legalidade das suas condutas”.

Theophilo destacou que permaneceu no cargo durante parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, até ser transferido para a reserva em novembro de 2023. Na ocasião, recebeu um “elogio honroso” do atual comandante do Exército, Tomás Paiva.

Em depoimento à PF, Freire Gomes afirmou que não autorizou a reunião entre Theophilo e Bolsonaro e que se sentiu “desconfortável com o episódio”, já que desconhecia o teor da convocação. No entanto, em declaração escrita anexada à defesa de Theophilo, Freire afirmou ter “total confiança na lealdade e disciplina” do general.

A investigação sobre a tentativa de golpe de Estado segue em andamento, com depoimentos e documentos analisados pela Polícia Federal e pelo STF.

Foto: Divulgação/Exército

 


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