A pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira, 27, que mostrou a desaprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superando sua aprovação pela primeira vez, provocou uma reação imediata no Partido dos Trabalhadores. A queda na popularidade fortaleceu o discurso de petistas que defendem maior foco em “pautas populares”, como o aumento da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para R$ 5 mil.
Entre os dados da pesquisa, chamou atenção o impacto negativo entre eleitores com renda de dois a cinco salários mínimos. Nesse grupo, a avaliação negativa de Lula subiu de 50% para 54%, enquanto a positiva caiu de 48% para 45%. A ampliação da faixa de isenção do IR foi anunciada em 2023, mas enfrentou resistência do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que preferia priorizar cortes de gastos.
Outro ponto de pressão é o preço dos alimentos, apontado por 83% dos brasileiros como tendo aumentado no último mês, um crescimento significativo em relação aos 65% registrados anteriormente. Reduzir esses preços será uma prioridade para o governo em 2025, segundo aliados do Planalto. Após as eleições para as presidências da Câmara e do Senado, as bancadas do PT planejam se reunir para discutir uma agenda legislativa focada em demandas populares.
A base governista atribui a recente queda de popularidade à “crise do Pix”, resultado de desinformação sobre uma medida da Receita Federal interpretada como tentativa de taxação. Para evitar novos danos, o governo realizou ajustes na comunicação, substituindo Paulo Pimenta por Sidônio Palmeira na Secretaria de Comunicação Social (Secom).
Palmeira, agora ministro, é apontado como o idealizador da estratégia de vincular a isenção do IR ao controle de gastos em dezembro. O anúncio, no entanto, desagradou o mercado financeiro e gerou tensões com o Centrão, levando o governo a adiar a proposta para 2025. O momento, avaliam petistas, exige ações concretas que conectem o governo às demandas da população.
Foto: Gabriel Paiva

