Hugo Motta (Republicanos-PB), favorito para assumir a presidência da Câmara dos Deputados, intensificou suas articulações políticas nos últimos dias antes da eleição da Mesa Diretora. Nesta segunda-feira, Motta participa de um jantar com a bancada paulista e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Na terça-feira, ele se reunirá com a bancada do Rio de Janeiro, em um encontro que contará com a presença do governador Cláudio Castro.

Esses encontros têm como pauta principal temas de interesse regional. No caso do Rio de Janeiro, serão discutidos assuntos como a derrubada de vetos do presidente Lula ao Propag (Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados) e a manutenção do número de cadeiras de deputados fluminenses na Câmara.

Um dos vetos ao Propag foi à possibilidade de os estados utilizarem recursos futuros do Fundo de Desenvolvimento Regional (FNDR), criado pela Reforma Tributária, para abatimento de juros. Sem essa possibilidade, os estados não podem usar receitas estimadas para reduzir dívidas atuais. O projeto sancionado por Lula prevê juros zerados para as dívidas com a União, corrigidas apenas pelo IPCA.

Outro desafio que Motta enfrentará nas primeiras semanas à frente da Câmara é a definição do número de cadeiras de deputados por estado. Uma ação judicial movida pelo Pará em 2017, baseada no novo Censo, exige a atualização da representação estadual até 30 de junho. Duas opções estão em debate: manter as 513 cadeiras, o que reduziria vagas em sete estados, ou ampliar o total para 531 deputados. O Rio de Janeiro seria o mais impactado em um cenário de redução, com a perda de quatro cadeiras.

A eleição da Mesa Diretora, marcada para sábado, definirá os dirigentes da Câmara e do Senado para 2025 e 2026. Além disso, os partidos devem anunciar seus líderes para o período. Antonio Brito (PSD-BA) foi reconduzido à liderança na Câmara, enquanto Eduardo Braga (MDB-AM) permanecerá líder no Senado.

Hugo Motta terá de equilibrar pressões da oposição e manter uma relação funcional com o Executivo. Entre os desafios está a crise das emendas parlamentares, que abalou a relação entre os poderes. Deputados discutem restringir a flexibilidade do governo no orçamento de 2025, tirando recursos de ministérios comandados pelo PT e favorecendo pastas controladas pelo centrão.

O contexto reforça que a liderança de Motta precisará lidar com disputas internas no Congresso e tensões entre os poderes Legislativo, Executivo e Judiciário.

Foto: Reprodução/Facebook


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