O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), aproveitou a retomada das atividades legislativas no estado para renovar críticas ao governo federal. Em mensagem lida na Assembleia Legislativa nesta segunda-feira, ele questionou os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que busca renegociar a dívida pública mineira.
No discurso, Zema reconheceu o papel do presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Martins Leite (MDB), e do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), na articulação do programa. Apesar do tom conciliador ao citar esses aliados, ele não poupou críticas à União, classificando as cobranças como uma forma de “agiotagem”.
“Independentemente do resultado desta empreitada, temos a convicção de que o Propag é o caminho que Minas deve seguir para garantir sustentabilidade financeira. Romper esse ciclo de agiotagem imposto pela União nas últimas décadas é essencial para assegurar que os mineiros tenham acesso a serviços de Educação, Saúde, Segurança e Infraestrutura de qualidade”, declarou o governador.
O posicionamento recebeu apoio de Tadeu Martins Leite, que defendeu a derrubada dos vetos, principalmente os relacionados a financiamentos privados e internacionais. “Zema pode contar comigo 100% para trabalharmos juntos na derrubada dos vetos. Precisamos garantir que essa iniciativa beneficie Minas Gerais”, afirmou.
A postura de Zema gerou reações até mesmo na oposição. Parlamentares concordam que os termos do Regime de Recuperação Fiscal são severos, mas enxergam na movimentação do governador uma estratégia para se posicionar politicamente contra o Palácio do Planalto. Nos bastidores, a avaliação é de que o discurso tem um viés eleitoral.
O deputado Professor Cleiton (PV) criticou a abordagem do governador, afirmando que ele tenta descredibilizar o Propag por conta dos vetos. “Zema faz oposição pela oposição. Ontem, elogiou e atacou ao mesmo tempo. Ele tenta argumentar que os vetos inviabilizam o Propag, mas na prática eles não comprometem o programa. Ele está criando uma crise artificial para mobilizar setores da extrema-direita”, disse.
O deputado estadual Cristiano Silveira (PT) também responsabilizou Zema pelo aumento da dívida pública do estado. Segundo ele, a gestão mineira deixou de quitar o montante devido à União amparada por uma liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no final do mandato do ex-governador Fernando Pimentel (PT).
A renegociação da dívida segue como um dos principais temas no embate entre o governo estadual e o federal, com impacto direto no cenário político de Minas Gerais nos próximos meses.
Foto: Alexandre Netto

