O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), intensificou as críticas ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), criado pelo governo federal para renegociar mais de R$ 760 bilhões em dívidas estaduais com a União. Zema afirma que a medida impõe custos adicionais ao estado e acusa o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de manter gastos excessivos enquanto exige sacrifícios das administrações estaduais.

“Eles mantêm 39 ministérios, promovem viagens luxuosas e aplicam sigilo de 100 anos no cartão do presidente, enquanto querem impor uma conta pesada aos estados. A renegociação foi desfigurada pelos vetos do presidente”, criticou Zema, referindo-se aos 13 vetos de Lula à lei sancionada em janeiro.

O governador também manifestou descontentamento com a destinação obrigatória de 60% do valor economizado com o não pagamento de juros para áreas como educação, saneamento e habitação. Segundo ele, a imposição interfere na autonomia dos estados. “O governo de Minas sempre quis um acordo justo, mas sem engessamentos que dificultem a gestão estadual”, declarou.

As declarações de Zema ocorrem após Lula rebater as críticas e afirmar que os estados foram beneficiados pelo programa. O presidente destacou que a renegociação garante prazos de até 30 anos para o pagamento da dívida, corrigida pelo IPCA e uma taxa variável entre 2% e 4%, enquanto os contratos anteriores previam juros superiores. Lula também enfatizou que o governo mineiro não conseguiu fechar acordos semelhantes no passado.

“É muito estranho que façamos um acordo que alivia a dívida de Minas, e ainda assim o governador critique. Antes, ele deveria me agradecer, pois conseguimos o que eles não fizeram”, disse Lula em entrevista às rádios Itatiaia, Mundo Melhor e BandNews FM BH.

O presidente elogiou o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG) pelo empenho na aprovação do projeto, atribuindo a ele a concretização do acordo. “O único motivo pelo qual essa renegociação aconteceu foi Pacheco. Ele se dedicou para que chegássemos a um consenso e garantíssemos um alívio para Minas Gerais”, afirmou.

Lula também classificou Zema e outros quatro governadores como “ingratos” por criticarem os vetos. “Os cinco governadores que mais devem à União deveriam estar agradecendo ao governo federal e ao Congresso. Mas, ao invés disso, fazem críticas porque não querem pagar”, disse o presidente, citando os governadores Cláudio Castro (PL), do Rio de Janeiro; Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul; Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais; Ronaldo Caiado (União), de Goiás; e Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo.

A disputa sobre a renegociação da dívida ilustra a crescente tensão entre Zema e o governo federal, em um cenário que pode influenciar a política nacional nos próximos anos. Enquanto o governador mineiro defende maior autonomia estadual, Lula argumenta que o novo modelo de renegociação é um avanço para a responsabilidade fiscal dos estados.

Foto: Cristiano Machado / Imprensa MG

 

 


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