O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (11), durante o Encontro de Novos Prefeitos e Prefeitas, que os gestores municipais vão pedir sua permanência no cargo ao final do mandato. “Eu sou muito humilde, mas eu duvido que na história desse país houve um presidente que já cuidou dos prefeitos como eu cuidei em todos os mandatos. E quando acabar o mandato vocês vão dizer: ‘Lulinha, fica. Porque nós precisamos de um presidente'”, declarou.
O evento, que acontece até quinta-feira (13), reúne prefeitos e gestores municipais de todo o Brasil e é coordenado pela Secretaria de Relações Institucionais da Presidência (SRI). O objetivo é fortalecer o diálogo entre os municípios e o governo federal, especialmente após a derrota do PT em cidades estratégicas nas eleições municipais.
Em seu discurso, Lula destacou a importância da parceria entre os municípios e o governo federal, garantindo que nenhuma cidade será prejudicada por questões partidárias. “Não haverá hipótese alguma de um Banco do Brasil, BNDES deixar de atender alguém por questão ideológica. Nós sabemos como a oposição é tratada nesse país e não faz muito tempo”, afirmou. O presidente reiterou que “nenhum prefeito e nenhuma prefeita serão discriminados por não ser do meu partido”.
Durante sua fala, Lula foi aplaudido diversas vezes, mas também enfrentou manifestações contrárias, incluindo o grito “deixa de ser mentiroso, rapaz” ao mencionar o tratamento igualitário a todas as cidades.
O evento contou com a presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), além de diversos ministros do governo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não compareceu. Entre os prefeitos presentes estavam João Campos (PSB), de Recife, e Eduardo Paes (PSD), do Rio de Janeiro. A cerimônia foi realizada no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília.
Além da SRI, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) também organizou o encontro. Em maio deste ano, a CNM promoveu a Marcha dos Municípios, evento no qual Lula foi vaiado por gestores municipais que cobravam a desoneração da folha de pagamento. O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, discursou no evento desta terça-feira, agradecendo a Lula e ressaltando as dificuldades orçamentárias das prefeituras. “Muitos dizem que a Confederação é um sindicato, que é dos prefeitos, mas nós estamos aqui como cidadãos, não como prefeitos”, afirmou.
A Associação Brasileira de Municípios (ABM) e a Frente Nacional de Prefeitos (FNP) também participaram da organização do evento, que prevê cerca de 170 atividades simultâneas com diretrizes e orientações sobre os programas do governo federal e recursos disponíveis para os municípios. Além disso, os gestores municipais terão acesso a informações técnicas, administrativas e financeiras.
Os debates incluem temas como enfrentamento de questões climáticas e eventos extremos, direitos humanos, cidadania, segurança pública, políticas de integração e transição energética. Outro ponto discutido foi o pacto federativo e o fortalecimento do relacionamento institucional das prefeituras com ministérios e demais órgãos governamentais.
O encontro busca aproximar o governo federal das administrações municipais, oferecendo suporte para a gestão local e alinhando políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável e o bem-estar da população.
Foto: Ricardo Stuckert/PR

